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Influenciadores relatam contatos do BRB para 'publis' sobre o caso Master

Mensagens atribuídas a agência que presta serviços ao banco sugeriam encontro com o presidente do BRB para tratar da crise envolvendo o Banco Master

Fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB) (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

247 - Influenciadores digitais do mercado financeiro tornaram públicas mensagens que receberam, atribuídas a uma agência que atua para o Banco de Brasília (BRB), nas quais eram convidados para um encontro com o presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza. O objetivo declarado seria discutir o chamado caso Master e apresentar a versão do banco sobre a crise, em meio à repercussão negativa provocada pela liquidação do Banco Master e pela tentativa frustrada de aquisição da instituição pelo BRB, segundo Camila Bomfim, do G1.

De acordo com os relatos, os contatos foram feitos por meio de e-mails enviados na terça-feira (27). Entre os influenciadores que divulgaram as mensagens nas redes sociais estão Renata Barreto e Renato Breia, ambos com atuação na área financeira. O BRB afirmou que não autorizou esse tipo de abordagem. Já a agência Flap, citada como responsável pelo contato, declarou que a iniciativa partiu dela própria, sem aval do banco, e que buscou a empresa TMA para intermediar o diálogo com os influenciadores.

Um dos e-mails encaminhados a Renata Barreto trazia no assunto a expressão “Orçamento Banco BRB - Urgente” e descrevia a ação proposta. No texto, a agência informava: “O presidente do banco, Nelson Antonio de Souza, gostaria de convidar a RENATA para um almoço em São Paulo, junto a outros influenciadores, com a finalidade de falar do Caso Master e mostrar a transparência que o BRB quer passar para seus clientes e o mercado”. A mensagem acrescentava que, durante o encontro, a equipe técnica do banco apresentaria informações sobre a situação e que o objetivo seria explicar “as medidas de contenção de danos e as ações de recuperação”, para posterior divulgação “de maneira transparente e objetiva” aos seguidores dos convidados.

A iniciativa provocou reação imediata dos influenciadores. Renato Breia, especialista em mercado financeiro, questionou publicamente a estratégia ao comentar o conteúdo recebido: “Um banco que tem CDBs no mercado, tem seu RI [Relatório de Investimentos], precisa de um influencer ir lá almoçar com o presidente do banco para falar bem do banco?”. Já Renata Barreto classificou a proposta como inadequada e afirmou: “não deve ser sério um negócio desses. Alguém avisa o presidente do BRB que a pessoa que deu a ideia de me chamar para fazer 'publi' do banco no caso Master realmente não me conhece. Vocês que se expliquem para o mercado com transparência ao invés de usar influenciadores para isso”.

Apesar da repercussão negativa, as mensagens divulgadas não continham pedidos considerados ilegais. Segundo integrantes da agência, a intenção seria apenas dimensionar custos e avaliar a viabilidade do evento. Os e-mails também não mencionavam valores para manipulação de opinião nem ataques coordenados ao Banco Central, diferentemente do que é apurado em uma investigação da Polícia Federal relacionada ao Banco Master.

Ainda assim, influenciadores entenderam que a busca por orçamentos foi inadequada diante do contexto do escândalo envolvendo o Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada. O banco operava sob risco elevado de insolvência, devido ao alto custo de captação e à exposição a investimentos considerados arriscados, com taxas muito acima da média do mercado. Tentativas de venda, incluindo a proposta apresentada pelo BRB, acabaram barradas após questionamentos de órgãos de controle, problemas de transparência, pressões políticas e citações da instituição em investigações.

Após a liquidação do Banco Master, alguns influenciadores também relataram ter sido procurados para produzir conteúdos críticos ao Banco Central, em um episódio distinto do caso envolvendo o BRB. Nesse outro contexto, a Polícia Federal realizou uma análise preliminar de postagens e solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para investigar possíveis crimes, com foco na apuração de uma eventual ação orquestrada contra o BC.

Em nota oficial, o BRB reiterou que não autorizou os contatos com influenciadores. A agência Flap, por sua vez, afirmou que a iniciativa foi interna e preliminar. 

Leia a nota da Flap na íntegra:

"A Flap, agência de live marketing e promoções, esclarece que o contato estabelecido com influenciadores digitais partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB.

O objetivo da agência era convidar influenciadores reconhecidos no mercado pela seriedade e pela atuação no segmento econômico/ financeiro para um evento onde seria feita uma apresentação institucional pela nova direção do BRB. O propósito da iniciativa era ampliar o acesso à informação, promovendo transparência e permitindo que diferentes públicos tivessem contato com os esclarecimentos prestados pelo Banco.

Reiteramos que, em hipótese alguma, houve qualquer tentativa de compra de opinião ou interferência editorial. A agência respeita a independência dos profissionais que atuam em redes sociais.

Ressaltamos que a abordagem foi conduzida pela equipe da agência e seus fornecedores, sem qualquer participação de funcionários do Banco BRB.

A Flap reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às boas práticas do mercado."

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