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Em depoimento à PF, diretor do BC disse que prejuízo do BRB com o Banco Master pode chegar a cerca de R$ 5 bi

Diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou à PF que ativos têm baixa qualidade e exigem forte provisionamento

Sede do BRB em Brasília - 01/04/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O Banco Regional de Brasília (BRB) poderá enfrentar um impacto financeiro bilionário em decorrência de operações realizadas com o Banco Master. Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, afirmou que a reserva necessária para cobrir as perdas pode se aproximar de R$ 5 bilhões diante da baixa qualidade dos ativos transferidos. As informações são da Folha de S.Paulo.

O depoimento de Aquino aconteceu no fim de dezembro, no âmbito das investigações que apuram a venda de carteiras de crédito supostamente fraudadas ao banco estatal do Distrito Federal. 

Risco crescente de perdas

Segundo Aquino, o Banco Central já identificou R$ 2,6 bilhões em perdas potenciais e determinou ao BRB a constituição dessa provisão. No entanto, o valor final tende a ser superior. "Em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, a gente também está ponderando que faltam mais, tem que ser feita provisão de mais R$ 2,2 bilhões", afirmou o diretor do BC em depoimento à PF.

Investigação apura venda de carteiras supostamente fraudadas

A Polícia Federal investiga a negociação de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que teriam sido vendidas pelo Banco Master ao BRB de forma irregular. No ano passado, a direção do banco de Brasília informou que aproximadamente R$ 10 bilhões haviam sido recuperados após devoluções parciais. Segundo a reportagem, os ativos usados como substituição incluem fundos com ações de empresas que perderam valor, carteiras de crédito inadimplentes e imóveis de baixa liquidez ligados à família de Daniel Vorcaro.

Qualidade dos ativos preocupa o Banco Central

O Banco Central ainda avalia a qualidade desses fundos e de outros ativos repassados. Paralelamente, o BRB conduz uma análise interna e contratou o escritório Machado Meyer e a consultoria Kroll. Em nota, o banco afirmou que "qualquer estimativa de necessidade de capital considerará integralmente todos os efeitos identificados na avaliação dos fundos e ativos repassados pelo Banco Master". O comunicado acrescenta que "para suprir possível déficit, já está desenhado um plano de capitalização que será encaminhado ao órgão regulador após a conclusão das análises".

Possível impacto nas contas do governo do DF

Dependendo do valor final a ser provisionado, o controlador do BRB, o governo do Distrito Federal, poderá ser chamado a realizar um aporte de capital. O ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, afastado após o avanço das investigações, tem afirmado a interlocutores que as operações foram corretamente precificadas e realizadas com deságio.

No depoimento, Ailton de Aquino também declarou que o BC tinha conhecimento dos problemas desde março e negou ter sofrido qualquer tipo de pressão institucional. "Não recebi nenhuma pressão em termos de liquidar ou não liquidar de autoridades da República", disse.

A compra do Banco Master pelo BRB foi negada pelo Banco Central em setembro de 2024, e a liquidação da instituição financeira foi anunciada em novembro do mesmo ano. Inicialmente, o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli havia determinado uma acareação entre os envolvidos, mas posteriormente substituiu a medida no caso.

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