Master transferiu R$ 39 milhões a fundos sob investigação da PF
Relatórios da Receita enviados ao Senado apontam repasses a previdências estaduais envolvidas em apurações sobre investimentos de risco
247 - O Banco Master fez transferências de R$ 39 milhões em 2025 para fundos de Previdência que estão sob investigação da Polícia Federal, segundo dados oficiais apresentados em documentos fiscais. As informações constam na declaração de Imposto de Renda (IR) da instituição e reforçam suspeitas sobre a relação entre o banco e entidades previdenciárias estaduais.
De acordo com reportagem publicada pelo Metrópoles, com base em relatórios da Receita Federal encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado do Senado, os valores foram destinados a dois fundos: a Amapá Previdência (Amprev) e o Rioprevidência.
Os registros indicam que a Amprev recebeu R$ 33,8 milhões em 2025, enquanto o Rioprevidência teve repasse de R$ 6 milhões no mesmo período. A Polícia Federal investiga ambas as instituições por operações realizadas com o Banco Master em um contexto de sinais de instabilidade financeira da instituição.
No Amapá, a Operação Zona Cinzenta apura possíveis irregularidades na aquisição de aportes vinculados ao banco, que somam cerca de R$ 430 milhões. Os investigadores analisam a aplicação de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do estado em Letras Financeiras do Master, com suspeitas de ausência de critérios técnicos e descumprimento de diretrizes de investimento.
A Amprev chegou a concentrar aproximadamente R$ 430 milhões nesses ativos, valor que representa cerca de 4,7% de seu patrimônio. Esses títulos têm vencimento de longo prazo e não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o que eleva o risco de perdas. A Polícia Federal aponta que o esquema investigado pode ter movimentado entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões em todo o país.
No caso do Rioprevidência, a apuração envolve aplicações estimadas em R$ 2,6 bilhões em ativos considerados de alto risco entre 2023 e 2025. Segundo as investigações, esses investimentos também ocorreram sem respaldo técnico adequado. Os recursos permanecem retidos desde a liquidação do Banco Master.
Além da atuação da Polícia Federal, o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu nova investigação nesta semana para analisar operações do Rioprevidência. O foco inclui empréstimos consignados e investimentos superiores a R$ 100 milhões direcionados a instituições financeiras não credenciadas.
Em nota, o Rioprevidência afirmou que não possui competência para avaliar declarações fiscais de outras entidades. “Em relação a declarações de Imposto de Renda de instituições que não estejam sob a gestão desta autarquia, o Rioprevidência esclarece que não possui competência legal para avaliá-las, sendo tal atribuição de responsabilidade da Receita Federal do Brasil”, informou.


