Ministros do STF apontam isolamento de Fachin em meio à crise interna
Presidente do STF estaria preservando a própria imagem em detrimento da coesão do tribunal
247 - Uma parcela dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que o presidente da corte, Edson Fachin, enfrenta isolamento interno e dificuldades para superar o desgaste recente vivido pelo tribunal. A percepção ocorre em meio à repercussão de investigações envolvendo o Banco Master e ao cenário de crise de credibilidade da instituição, relata a Folha de São Paulo.
Três ministros e interlocutores próximos de outros dois integrantes da corte afirmam que a postura adotada por Fachin tem sido interpretada como fator que amplia tensões internas e oferece argumentos a críticos do Supremo, especialmente no Congresso Nacional. A análise predominante é de que o presidente da corte estaria priorizando sua própria imagem em detrimento da coesão do colegiado, em um momento considerado delicado para o Judiciário.
Em recente participação em aula magna no Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fachin defendeu a necessidade de autocontenção do STF e de respeito à separação entre política e Justiça. Na ocasião, afirmou: "não podemos jamais abrir mão de fundamentar as nossas escolhas e justificar nossas decisões de forma lúcida, sensível e racional. Sem confiança não há legitimidade. E, sem legitimidade, não há autoridade que se sustente".
Em outro evento, realizado na sede do Supremo, o ministro voltou a abordar a atuação do Judiciário e destacou a importância de independência nas decisões. Segundo ele, juízes devem agir com "saudável distanciamento das partes e dos interesses em jogo", além de evitar que a Justiça fique "aprisionada em interesses paroquiais, conveniências econômicas ou cálculos políticos".
Apesar dessas declarações, parte dos ministros entende que o discurso não tem sido suficiente para conter a crise interna. Decisões recentes dos ministros Flávio Dino, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes sobre benefícios salariais foram interpretadas como sinais indiretos de discordância em relação à condução do tema por Fachin. Também repercutiu a decisão de Dino que altera a punição de magistrados em casos graves, passando a permitir a perda do cargo, sem manutenção de remuneração.
O ambiente de tensão é agravado pelas menções a ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suspeita de liderar um esquema de fraudes financeiras via Banco Master. A ausência de manifestações públicas de Fachin sobre o caso tem gerado incômodo entre integrantes da corte, que defendiam uma posição mais assertiva da presidência para preservar a imagem institucional.
Fachin, por sua vez, avalia que qualquer pronunciamento seria precipitado diante do sigilo das investigações. Ainda assim, parte dos magistrados sustenta que, na condição de presidente, caberia a ele reforçar a confiança nas declarações de colegas que negam irregularidades.
O desgaste interno também remonta a episódios anteriores, como a tentativa de Fachin de levar ao plenário a discussão sobre a suspeição de Dias Toffoli no caso Banco Master. A proposta, apresentada em reunião reservada em fevereiro, contou apenas com o apoio da ministra Cármen Lúcia e foi rejeitada pela maioria, que considerou a medida arriscada para a imagem do tribunal. Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria do processo, que foi redistribuído ao ministro André Mendonça, e mais tarde se declarou suspeito por motivo de foro íntimo.
Outra iniciativa de Fachin —a defesa da criação de um código de conduta para magistrados— também tem sido alvo de críticas internas, sobretudo quanto ao momento escolhido para sua implementação. Além disso, a ausência de colegas em compromissos institucionais recentes do presidente, como encontros com autoridades estrangeiras e dirigentes de tribunais, é vista como sinal adicional de distanciamento.
Auxiliares próximos afirmam que Fachin não se considera isolado e que mantém diálogo frequente com os demais ministros para discutir temas relevantes, incluindo investigações sensíveis. No entanto, integrantes da corte relatam que essas conversas têm sido superficiais e não resultam em ações concretas para enfrentar o atual cenário de tensão.
O ministro também tem ressaltado a importância da discrição como característica de sua atuação, defendendo a preservação da autoridade, da integridade moral e da imparcialidade dos membros do Supremo como princípios centrais de sua gestão.


