PF investiga BRB por suspeita de gestão fraudulenta
Inquérito autorizado pelo STF apura compra de carteiras irregulares do Banco Master e possíveis prejuízos que podem chegar a R$ 5 bilhões
247 - A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar suspeitas de gestão fraudulenta envolvendo o Banco de Brasília (BRB), instituição financeira estatal controlada pelo governo do Distrito Federal. A investigação se concentra em operações bilionárias realizadas com o Banco Master, que podem ter provocado um rombo expressivo nas contas do banco público. As informações são da jornalista Miriam Leitão, do jornal O Globo.
A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e o procedimento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR).
No centro da apuração está a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito supostamente vendidas pelo Banco Master, mas que, segundo as investigações, não pertenciam à instituição privada nem contavam com garantias. O BRB desembolsou cerca de R$ 12 bilhões nessas operações, e o prejuízo estimado pode alcançar R$ 5 bilhões.
A Polícia Federal busca esclarecer se houve falhas nos mecanismos internos de análise, aprovação e governança do BRB ao longo dessas negociações. Parte das transações ocorreu no mesmo período em que o banco público tentou adquirir uma participação relevante no Banco Master, operação que contou com forte apoio do governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, mas acabou barrada pelo Banco Central.
Em novembro, uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que posteriormente foi demitido de forma definitiva. Além da PF e do MP, o Banco Central, a nova diretoria do BRB e uma auditoria independente também analisam as transações, embora ainda não tenham divulgado conclusões.
Nas últimas semanas, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afirmou à TV Globo que se reuniu ao menos quatro vezes, entre 2024 e 2025, com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo ele, nesses encontros não houve discussão sobre a compra do banco privado pelo BRB.
As investigações também avançam sobre a atuação do Banco Master no mercado financeiro. De acordo com apurações da Polícia Federal e do Banco Central, a instituição emitiu cerca de R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs), oferecendo juros acima das taxas de mercado, sem demonstrar liquidez suficiente para honrar os compromissos futuros.
Para sustentar uma aparência de solidez financeira, o Banco Master teria aplicado parte desses recursos em ativos inexistentes, por meio da compra de créditos de uma empresa chamada Tirreno. Essa operação não envolveu desembolso financeiro por parte do Master, mas os mesmos créditos foram revendidos ao BRB, que pagou aproximadamente R$ 12,2 bilhões sem documentação adequada, em uma tentativa de reforçar o caixa do banco privado.
Essas operações ocorreram enquanto o BRB buscava convencer os órgãos de fiscalização de que a aquisição do Banco Master seria viável e não representaria riscos aos acionistas, incluindo o governo do Distrito Federal. Paralelamente, o Master era conhecido por atuar na compra de precatórios e por investir em empresas em dificuldades financeiras.


