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Lideranças do PT defendem criação de CPI do caso Master pela Câmara

Partido avalia que comissão na Câmara pode esvaziar CPMI articulada pela oposição

Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

247 - A bancada do PT na Câmara dos Deputados passou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar fraudes envolvendo o Banco Master. O requerimento para instalação do colegiado foi apresentado na segunda-feira (2) e recebeu o apoio de 42 dos 67 deputados do partido, incluindo o líder da legenda na Casa, Lindbergh Farias (RJ).

De acordo com a Folha de São Paulo, a ala majoritária do PT avalia que a CPI pode cumprir um papel estratégico ao evitar que a oposição concentre o debate sobre o caso e avance na criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.

Estratégia do PT para a CPI do Banco Master

Entre os argumentos levantados por parlamentares petistas está a avaliação de que há maior envolvimento de políticos ligados à direita no esquema investigado, o que poderia gerar desgaste para adversários em um ano eleitoral. Outro ponto considerado relevante é o recorte adotado no requerimento apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que prevê a apuração da relação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília).

Nos bastidores, integrantes do PT avaliam que esse eixo de investigação pode trazer desgaste político para a gestão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Além disso, parlamentares defendem que o governo não deve adotar uma postura defensiva sobre o tema, sob risco de permitir que a oposição monopolize o debate público.

Disputa entre CPI e CPMI no Congresso

A defesa da CPI na Câmara também está associada à tentativa de esvaziar a articulação em torno de uma CPMI do Banco Master, iniciativa capitaneada pela oposição e liderada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Para parte da bancada petista, a existência de duas comissões sobre o mesmo assunto seria politicamente inviável.

O Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, criticou o pedido de CPMI apresentado pela oposição e afirmou que a iniciativa é "fora de propósito". O deputado destacou ainda que o partido continuará analisando o requerimento de CPMI articulado pelas deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).

A avaliação interna de parte dos deputados é que a instalação de uma CPI exclusivamente na Câmara reduziria o espaço político para a criação de uma comissão mista no Senado, especialmente em um contexto de ano eleitoral.

Impacto na agenda legislativa

A bancada do PT deve se reunir nesta terça-feira (3) para definir uma posição oficial sobre o tema. Caso o entendimento favorável à CPI seja mantido, a decisão será comunicada ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na próxima reunião de líderes.

Publicamente, o Palácio do Planalto tem afirmado que não atuará para interferir na abertura de CPIs. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que "o governo sente-se confortável com a apuração da PF [Polícia Federal]. Não vamos atuar para barrar a CPI do Master. Se a Câmara quiser que faça. Tarefa dos Parlamentares".

Nos bastidores, no entanto, integrantes do governo demonstram preocupação com os efeitos de uma CPI sobre o funcionamento do Congresso. Há uma ala que defende concentração de esforços na votação de pautas consideradas prioritárias, como a Medida Provisória do programa Gás do Povo, o debate sobre o fim da escala 6x1, a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e a proposta de tarifa zero no transporte público.

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