Lideranças do PT defendem criação de CPI do caso Master pela Câmara
Partido avalia que comissão na Câmara pode esvaziar CPMI articulada pela oposição
247 - A bancada do PT na Câmara dos Deputados passou a defender a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar fraudes envolvendo o Banco Master. O requerimento para instalação do colegiado foi apresentado na segunda-feira (2) e recebeu o apoio de 42 dos 67 deputados do partido, incluindo o líder da legenda na Casa, Lindbergh Farias (RJ).
De acordo com a Folha de São Paulo, a ala majoritária do PT avalia que a CPI pode cumprir um papel estratégico ao evitar que a oposição concentre o debate sobre o caso e avance na criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional.
Estratégia do PT para a CPI do Banco Master
Entre os argumentos levantados por parlamentares petistas está a avaliação de que há maior envolvimento de políticos ligados à direita no esquema investigado, o que poderia gerar desgaste para adversários em um ano eleitoral. Outro ponto considerado relevante é o recorte adotado no requerimento apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que prevê a apuração da relação entre o Banco Master e o BRB (Banco de Brasília).
Nos bastidores, integrantes do PT avaliam que esse eixo de investigação pode trazer desgaste político para a gestão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Além disso, parlamentares defendem que o governo não deve adotar uma postura defensiva sobre o tema, sob risco de permitir que a oposição monopolize o debate público.
Disputa entre CPI e CPMI no Congresso
A defesa da CPI na Câmara também está associada à tentativa de esvaziar a articulação em torno de uma CPMI do Banco Master, iniciativa capitaneada pela oposição e liderada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Para parte da bancada petista, a existência de duas comissões sobre o mesmo assunto seria politicamente inviável.
O Líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, criticou o pedido de CPMI apresentado pela oposição e afirmou que a iniciativa é "fora de propósito". O deputado destacou ainda que o partido continuará analisando o requerimento de CPMI articulado pelas deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).
A avaliação interna de parte dos deputados é que a instalação de uma CPI exclusivamente na Câmara reduziria o espaço político para a criação de uma comissão mista no Senado, especialmente em um contexto de ano eleitoral.
Impacto na agenda legislativa
A bancada do PT deve se reunir nesta terça-feira (3) para definir uma posição oficial sobre o tema. Caso o entendimento favorável à CPI seja mantido, a decisão será comunicada ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na próxima reunião de líderes.
Publicamente, o Palácio do Planalto tem afirmado que não atuará para interferir na abertura de CPIs. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que "o governo sente-se confortável com a apuração da PF [Polícia Federal]. Não vamos atuar para barrar a CPI do Master. Se a Câmara quiser que faça. Tarefa dos Parlamentares".
Nos bastidores, no entanto, integrantes do governo demonstram preocupação com os efeitos de uma CPI sobre o funcionamento do Congresso. Há uma ala que defende concentração de esforços na votação de pautas consideradas prioritárias, como a Medida Provisória do programa Gás do Povo, o debate sobre o fim da escala 6x1, a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e a proposta de tarifa zero no transporte público.


