Por ordem de Moraes, Receita Federal faz rastreamento de quebra de sigilo de dados de ministros do STF e familiares
Checagem envolve cerca de 100 pessoas ligadas aos membros da Corte
247 - A Receita Federal realiza um rastreamento interno para verificar possível quebra de sigilo de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a apuração ocorre após solicitação do ministro Alexandre de Moraes e envolve cerca de 100 pessoas, incluindo pais, filhos, irmãos e cônjuges dos dez integrantes da Corte. Para concluir o procedimento, os auditores precisam executar aproximadamente 8.000 checagens relacionadas a acessos e eventuais quebras de sigilo.
Em nota, a Receita Federal informou que não comenta solicitações judiciais. O órgão declarou que "esse processo está sob sigilo de Justiça, só cabe ao STF qualquer autorização de divulgação. A Receita recebe diversas demandas judiciais de informação, não se manifestando sobre elas por conta de sigilo tributário e, muitas vezes, também judicial, como é o caso".
Análise usa 80 sistemas e relatórios vão direto a Moraes
A análise utiliza informações de cerca de 80 sistemas internos. Os relatórios produzidos já estão sendo encaminhados diretamente ao gabinete do ministro Moraes. A solicitação teria sido feita há cerca de três semanas dentro do inquérito das Fake News, instaurado em 2019 para investigar ataques contra integrantes do STF. No pedido, não foram citados nomes específicos, mas foram incluídos todos os ministros e familiares com graus de parentesco próximos.
O procedimento ocorre em meio à crise institucional ligada ao Banco Master, que é alvo de investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras em diferentes estados. O caso também gerou desconfianças sobre possíveis vazamentos de dados protegidos por sigilo fiscal e bancário. A Polícia Federal não participa da atual busca por possíveis quebras de sigilo.
A investigação ocorreu após divulgação de informações que apontaram conexões entre familiares de Moraes e do ministro Dias Toffoli com o banco. Posteriormente, Toffoli deixou a relatoria do processo no Supremo após reunião interna entre os ministros. O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, é investigado no âmbito das apurações.
Segundo a reportagem, mensagens analisadas indicariam tratativas envolvendo pagamentos a empresas relacionadas a investigações. Na semana anterior, o diretor-geral da PF entregou relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, contendo trocas de mensagens relacionadas ao caso.


