Ministros do STF questionaram atuação da PF em reunião que tirou Toffoli da relatoria do Caso Master
Ministros questionaram apuração sobre magistrado sem autorização e apontaram risco de extrapolação do conceito de "encontro fortuito" no caso
247 - A reunião no Supremo Tribunal Federal (STF) que culminou na saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Banco Master foi marcada por críticas contundentes à atuação da Polícia Federal (PF). Segundo a coluna da jornalista Julia Duailibi, do G1, os ministros avaliaram que houve direcionamento investigativo a uma autoridade com foro privilegiado, sem autorização judicial prévia, o que provocou reação em defesa da autonomia do Judiciário.
De acordo com a reportagem, integrantes da Corte entenderam que o material encaminhado pela PF ao presidente do STF, Edson Fachin, indicaria um nível de cruzamento de dados que ultrapassa o conceito de “encontro fortuito”, argumento utilizado pelos delegados para justificar a menção ao ministro em diálogos de terceiros.
Questionamentos sobre o alcance da investigação
De acordo com alguns ministros, o relatório revelou troca de mensagens e cruzamento de informações que, na avaliação de parte da Corte, configurariam uma linha investigativa direcionada. Para esses integrantes do STF, qualquer apuração envolvendo autoridade com foro no Supremo exigiria autorização judicial prévia.
O documento da Polícia Federal também mencionou a ex-mulher de Dias Toffoli. O nome dela aparece no relatório que detalha mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, conectando o círculo pessoal do ministro ao monitoramento descrito na investigação. Para membros da Corte, esse ponto reforçou a percepção de que houve avanço sobre relações privadas do magistrado.
Defesa institucional e mudança de relatoria
O tom adotado por ministros foi interpretado como um gesto de solidariedade institucional a Toffoli. Houve convergência no entendimento de que a forma como as informações foram expostas — incluindo convites e interlocuções diretas — poderia constranger a instituição.
No encontro, reiterou-se que a Polícia Federal não pode investigar integrantes do Supremo por iniciativa própria, sob risco de violação da autonomia do Judiciário. Esse posicionamento embasou a solução considerada mais adequada: a saída voluntária de Toffoli da relatoria.
A avaliação apresentada foi que a permanência do ministro no caso poderia comprometer o andamento do processo e abrir espaço para questionamentos futuros, inclusive com risco de anulações.
Com a redistribuição, André Mendonça passou a assumir a relatoria do caso Banco Master. Nesta sexta-feira (13), o ministro convocou os delegados responsáveis pela investigação para uma reunião visando se situar em relação ao andamento das investigações.


