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Renan diz que parlamentares do Centrão tentaram chantagear o TCU para reverter liquidação do Banco Master

De acordo com o senador, Hugo Motta deve explicar por que pressionou um setor do TCU para reduzir o rigor da fiscalização no caso do Banco Master

Renan Calheiros (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

247 - O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta quarta-feira (4) que procurou o Tribunal de Contas da União (TCU) para obter mais informações sobre denúncias de pressão política contra a fiscalização da liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC) do Brasil. Segundo o parlamentar, a acusação envolveu integrantes do Centrão e dirigentes da Câmara dos Deputados, para que a liquidação fosse revertida.

Em entrevista à CNN Brasil, Renan Calheiros declarou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), precisa prestar esclarecimentos públicos sobre o episódio. O senador afirmou que Motta deve explicar “por que ele pressionou um setor do Tribunal de Contas da União” para reduzir o rigor da fiscalização relacionada a possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

“Não sou a melhor pessoa para falar sobre o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados. Mas eu acho que antes de decidir se vai ou não instalar a comissão, ele precisa decidir e dizer porque é que ele pressionou um setor do Tribunal de Contas da União para liquidar a liquidação do Banco Central. Os dirigentes da Câmara estão sendo acusados de terem participado desta chantagem, desta pressão, e ontem estive no Tribunal de Contas exatamente para requisitar os dados que sobejamente demonstrarão isso”, disse Calheiros na entrevista.

O parlamentar também afirmou que a atuação do tribunal é essencial para garantir a legalidade e a transparência em operações financeiras de grande impacto, como a liquidação de instituições bancárias.

“O Tribunal de Contas foi chantageado para liquidar a liquidação. Abertamente, à luz do dia, os dirigentes da Câmara tentaram votar a elevação do FGC [Fundo Garantidor de Crédito] para R$ 1 milhão como parte dessa pressão”, afirmou. O FGC é o seguro pago aos investidores em casos de falência de um banco. O fundo cobre até R$ 250 mil por investidor atualmente.

Mais detalhes

O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro do ano passado. O caso é alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um esquema de fraudes financeiras que teria como base a concessão de créditos falsos. Segundo estimativas de investigadores, as irregularidades podem ter movimentado até R$ 17 bilhões.

O Banco Master pertence ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar no âmbito das apurações. As investigações seguem em andamento e o caso tem ampliado o debate sobre a atuação de órgãos de controle e a possível interferência política em processos de fiscalização financeira.

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