CPMI do INSS remarca depoimento de Daniel Vorcaro para 26 de fevereiro
Comissão decide ouvir presidente do INSS após novo adiamento do depoimento do dono do Banco Master
247 - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS decidiu adiar novamente o depoimento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que prestaria esclarecimentos sobre a concessão de empréstimos consignados vinculados a benefícios previdenciários. A mudança, segundo o G1, foi anunciada ainda na noite de terça-feira (3) pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). A oitiva, inicialmente prevista para quinta-feira (5), havia sido remarcada para dia 19 e, agora, foi reagendada para o dia 26 de fevereiro.
Com o adiamento, a CPMI decidiu convocar o presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, para explicar como o órgão tem atuado na fiscalização das operações de crédito consignado.
Mudança na agenda da CPMI
Na tarde de terça-feira, Carlos Viana participou de uma audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do inquérito que apura as atividades do Banco Master. Segundo o senador, o ministro também teria concordado com a liberação de Daniel Vorcaro para prestar depoimento à comissão.
De acordo com Viana, o INSS suspendeu cerca de 250 mil contratos de empréstimos consignados do Banco Master por “falta de comprovação da documentação”. O senador afirmou que o empresário terá de explicar a origem desses contratos e os mecanismos utilizados para a realização dos descontos. “Ele [Vorcaro] terá de explicar como o Banco Master adquiriu esses contratos e, se tantas pessoas que não tinham comprovação, como os descontos ocorreram sem autorização”, disse.
Contratos suspensos pelo INSS
Carlos Viana também declarou que a CPMI irá questionar quais medidas foram adotadas para devolver os valores descontados de clientes que tiveram prejuízos com contratos considerados irregulares.
O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente do salário ou do benefício previdenciário do contratante, o que exige autorização expressa.
Reclamações contra o Banco Master
Em novembro, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) enviou à CPMI do INSS um documento com dados sobre reclamações contra instituições financeiras relacionadas ao crédito consignado. Segundo o levantamento, o Banco Master aparece como a 21ª instituição com mais registros entre 2019 e 2025, totalizando 5.665 reclamações.
Os números mostram crescimento ao longo dos anos. O banco não registrou reclamações em 2019, teve 11 em 2020 e 76 em 2021. Em 2023, o total chegou a 1.511 registros. Em 2025, foram contabilizadas 2.472 reclamações, colocando o Banco Master na oitava posição entre as instituições mais contestadas nessa modalidade, à frente da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do BRB.
Atuação do MPF e defesa do banco
Na terça-feira, o Ministério Público Federal no Distrito Federal recomendou ao liquidante do Banco Master que reserve recursos para a restituição de valores descontados indevidamente em contratos considerados inválidos pelo INSS.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que “o Banco Master sempre atuou em estrita observância às normas e aos procedimentos estabelecidos pelo INSS para a concessão de crédito consignado, incluindo os requisitos de formalização, identificação do contratante e comprovação de consentimento”.


