Presidente do BRB busca na Faria Lima venda de ativos comprados do Master
Banco tenta reduzir riscos e reforçar o caixa após compra de carteiras problemáticas e avanço das investigações sobre o antigo controlador do Master
247 - O Banco de Brasília (BRB) iniciou uma ofensiva no mercado financeiro para se desfazer de ativos considerados estratégicos, mas que não fazem parte do foco da instituição. A articulação envolve contatos diretos com investidores e gestores na região da Faria Lima, em São Paulo, principal centro financeiro do país, com o objetivo de negociar a venda de bens adquiridos junto ao Banco Master. As informações são do G1.
A diretoria do BRB está em conversas com diferentes players do mercado para repassar ativos de alto valor, mas que não despertam interesse de longo prazo para o banco público do Distrito Federal.
Entre os bens colocados à mesa estão terrenos em áreas nobres da capital paulista, como nas proximidades da região da Cidade Jardim, além de imóveis, restaurantes e outros ativos imobiliários. A estratégia busca recompor o caixa e reduzir a exposição a riscos, após a aquisição de carteiras de crédito de baixa qualidade ligadas ao Banco Master.
Na prática, o movimento ocorre como resposta à crise que atingiu o Master e levou o BRB a assumir créditos sem garantias financeiras robustas. A expectativa é que fundos especializados em ativos problemáticos liderem o interesse, já que costumam adquirir esse tipo de carteira com descontos elevados, apostando na recuperação parcial dos valores ao longo do tempo. Bancos e gestoras de crédito também podem participar, concentrando-se nos trechos considerados mais sólidos das carteiras. Já os imóveis tendem a atrair investidores do setor imobiliário, com negociações individualizadas para ativos de maior porte.
O contexto dessas operações envolve a liquidação extrajudicial do Banco Master e o avanço de investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraudes bilionárias. Segundo apurações, o BRB teria comprado cerca de R$ 12 bilhões em créditos de baixa qualidade pertencentes ao banco controlado por Daniel Vorcaro. As aquisições ocorreram a partir de 2024, ainda sob a presidência anterior do BRB, comandada por Paulo Henrique Costa.
Em março de 2025, chegou a ser anunciado um acordo para a compra do próprio Banco Master pelo BRB, em uma operação estimada em R$ 2 bilhões. A transação, porém, foi barrada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano. A relação entre as duas instituições tornou-se alvo central de um inquérito da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco de Vorcaro.
Como desdobramento, Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB e posteriormente demitido. A instituição passou a ser comandada por Nelson Antônio de Souza, atual presidente, que conduz agora a estratégia de desinvestimento e reorganização do portfólio do banco.
Além do inquérito principal, a Polícia Federal abriu recentemente uma nova investigação específica sobre a gestão do BRB. A abertura foi revelada pela colunista Míriam Leitão, do jornal O Globo, e confirmada por apuração do blog. O foco é apurar indícios de gestão fraudulenta que vão além da tentativa de compra do Banco Master.
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro, o ex-sócio do Master Maurício Quadrado e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, teriam adquirido ações do BRB como pessoas físicas por meio de fundos e estruturas intermediárias, o que teria dificultado a identificação dos compradores finais. O avanço das apurações mantém o BRB sob forte escrutínio dos órgãos de controle, enquanto a instituição busca reduzir riscos e preservar a estabilidade de suas operações.


