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Suplentes movimentam R$ 1,7 bilhão em emendas no Senado

Levantamento revela que suplentes, sem votos diretos, movimentaram R$ 1,7 bilhão em emendas e influenciam decisões no Senado

Plenário do Senado, 4 de março de 2026 (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

247 - A atuação de suplentes no Senado brasileiro tem chamado atenção após a constatação de que parlamentares sem votos diretos movimentaram R$ 1,7 bilhão em emendas nos últimos anos, influenciando decisões e ampliando o peso de figuras pouco conhecidas pelo eleitorado. A discussão ganha relevância diante da disputa pelas 54 vagas da Casa em 2026, marcada pela polarização entre grupos governistas e conservadores, relata o UOL.

Segundo os dados, 51 suplentes assumiram cadeiras no Senado nos últimos oito anos, evidenciando que a maioria das 81 vagas passou por substituições ao longo do período, seja por poucos meses ou por anos.

O cenário chama atenção para o número expressivo de possíveis substitutos: além dos 54 senadores eleitos, existem 216 suplentes aptos a assumir os cargos. 

A apuração indica que o perfil desses suplentes costuma ser distinto do dos senadores eleitos. Em geral, apresentam menor experiência política e, com frequência, têm origem no setor empresarial.

O impacto financeiro da atuação desses parlamentares também se destaca. Pela legislação orçamentária, cada senador pode indicar até R$ 74 milhões anuais em emendas. No ciclo iniciado em 2019, os suplentes direcionaram, ao todo, R$ 1,7 bilhão em recursos públicos.

Um dos casos citados é o do senador Giordano (Podemos-SP), que assumiu após a morte de Major Olímpio. Mesmo sem ter recebido votos próprios, ele já destinou cerca de R$ 200 milhões em emendas parlamentares.

A reportagem também aponta situações em que suplentes apresentaram propostas relacionadas a seus próprios setores de atuação econômica. Entre os exemplos está Margareth Buzetti (MT), empresária do ramo de recauchutagem de pneus, que propôs a redução de tarifas para o segmento durante seu período no Senado.

Outros nomes mencionados incluem Fernando Farias (AL), ligado ao setor sucroalcooleiro, e Ogari Pacheco (TO), proprietário do laboratório Cristália, evidenciando a proximidade entre interesses econômicos e a atividade legislativa exercida por suplentes.

O tema ganha ainda mais relevância no contexto das eleições de 2026, quando diferentes forças políticas buscam ampliar sua influência no Senado, incluindo propostas que envolvem o papel da Casa em relação ao Supremo Tribunal Federal.

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