Vorcaro passou R$ 520 milhões em bens para Martha Graeff, apontam mensagens em poder da CPMI do INSS
Material entregue à comissão apontou uma mansão de US$ 86,5 milhões em Miami e um investimento milionário em empresa da ex-noiva do banqueiro
247 - O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, transferiu um conjunto de bens avaliados em mais de US$ 100 milhões — o equivalente a mais de R$ 520 milhões — para Martha Graeff, sua ex-noiva. As informações foram extraídas de uma troca de mensagens entre os dois, material que foi entregue à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) do INSS e que agora integra o acervo de investigações sobre o caso.
De acordo com reportagem publicada nesta segunda-feira (16) pelo jornal O Estado de S.Paulo, os diálogos apontam que Vorcaro demonstrou interesse em estruturar, em nome de Martha, um mecanismo jurídico de proteção patrimonial nos Estados Unidos conhecido como trust — uma modalidade amplamente utilizada para blindar ativos de eventuais disputas legais ou fiscais. O principal bem vinculado a essa estrutura seria uma mansão localizada no bairro de Bay Point, em Miami, adquirida pelo banqueiro por US$ 86,5 milhões, quantia que ultrapassa R$ 450 milhões na cotação atual.
O imóvel de luxo na Flórida não é o único ativo de expressão mencionado nas conversas. Preso atualmente na Penitenciária Federal de Brasília por envolvimento em fraudes financeiras, o empresário também teria aportado US$ 10 milhões na Happy Aging, companhia voltada ao segmento de "envelhecimento saudável" que Martha Graeff divulgava em seu perfil no Instagram e da qual era sócia. As mensagens fazem referência ainda a outros presentes de alto valor repassados à ex-noiva, sem que os detalhes específicos desses itens tenham sido divulgados na reportagem.
O conjunto de transferências ganha relevância jurídica diante do contexto em que Vorcaro está inserido. Se as investigações em curso conseguirem demonstrar que os bens têm origem em recursos desviados, a legislação brasileira permite que eles sejam apreendidos pelas autoridades — independentemente de estarem registrados em nome de terceiros ou estruturados sob mecanismos de proteção patrimonial no exterior.
A defesa de Martha Graeff foi procurada pelo Estadão para se manifestar tanto sobre a existência do trust quanto sobre os demais bens mencionados nas conversas, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento da reportagem.
O caso Vorcaro segue em múltiplas frentes investigativas. O banqueiro já havia sido alvo de uma ordem de prisão anterior, tendo obtido liberdade provisória mediante uso de tornozeleira eletrônica. Uma nova ordem de prisão foi decretada com base em mensagens encontradas em seu celular durante a Operação Compliance Zero, que apontaram, entre outras irregularidades, ameaças a jornalistas e a uma empregada doméstica, além da ocultação de mais de R$ 2,2 bilhões em conta no nome de seu pai.



