ACM Neto declara apoio a Ronaldo Caiado na corrida presidencial deste ano
O pré-candidato ao governo baiano afirmou que tem uma "relação histórica" com o presidenciável do PSD
247 - O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), sinalizou apoio ao governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), na disputa pela Presidência da República em 2026, mas condicionou a decisão final ao posicionamento do partido. Segundo reportagem do jornal O Globo publicada nesta terça-feira (31), existe uma divisão interna no União Brasil, com alas favoráveis a Caiado e outras inclinadas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao justificar sua inclinação pelo governador goiano, ACM Neto foi direto: "Tenho uma relação histórica com Caiado, de mais de 25 anos de amizade, o que nos aproxima, o que torna muito difícil não estar com ele. A pré-candidatura dele até foi lançada em Salvador", declarou o ex-prefeito, acrescentando que respeitará o posicionamento de seus aliados e dos demais partidos que integram sua aliança política na Bahia.
O governador lançou formalmente sua pré-candidatura presidencial na segunda-feira (30) e, em troca, declarou apoio a ACM Neto na disputa pelo governo baiano. Apesar da sinalização pública, parte dos aliados do ex-prefeito já demonstrou inclinação por Flávio Bolsonaro, o que torna o cenário interno do União Brasil indefinido. A legenda ainda não estabeleceu uma posição oficial sobre o apoio presidencial, e ACM Neto indicou que aguardará o debate interno antes de formalizar qualquer comprometimento.
Recados de Caiado a Flávio Bolsonaro

Ao lançar a própria pré-candidatura, o governador de Goiás também enviou recados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), outro pré-candidatos ao Planalto. Sem citar diretamente o parlamentar, o governador questionou a capacidade de gestão dos seus oponentes.
"Ganhar não é a maior dificuldade. Ganhar, vamos ganhar. Agora, vai saber governar ou vai querer aprender a governar na cadeira?", disse, em provocação que o cenário político interpretou como uma crítica à inexperiência de Flávio Bolsonaro no Executivo.
O governador fez uma avaliação sobre o perfil que considera necessário para a condução do país, sinalizando que a Presidência da República exige experiência e maturidade política — atributos que, segundo ele, se traduzem em um governante de “cabelos brancos”. A observação foi interpretada como uma crítica indireta a Flávio.
Corrida presidencial
O cenário eleitoral para 2026 segue marcado por empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta semana, aponta Lula com 41,3% das intenções de voto contra 37,8% de Flávio Bolsonaro no cenário estimulado principal — diferença dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Ronaldo Caiado aparece com 3,6% e Romeu Zema com 3%. Brancos, nulos e indecisos somam 12%. A pesquisa ouviu 2.080 eleitores entre os dias 25 e 28 de março, em 158 municípios de todos os estados e do Distrito Federal, com grau de confiança de 95%.
A pesquisa BTG/Nexus, divulgada na segunda-feira (30), também indica equilíbrio entre os dois líderes. No cenário com Caiado como candidato do PSD, Lula aparece com 41% e Flávio Bolsonaro com 38%. Outros nomes como Caiado e Zema registram 4% cada, enquanto 8% declaram voto branco ou nulo e 3% estão indecisos.
Outro levantamento, divulgado na semana anterior e citado pela Bloomberg com base em dados da AtlasIntel, mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente: 47,6% contra 46,6% de Lula — diferença de apenas um ponto percentual, dentro da margem de erro, configurando novo empate técnico entre os dois principais nomes da corrida presidencial.
Cenário eleitoral na Bahia
No plano estadual, ACM Neto lidera a disputa pelo governo da Bahia. Pesquisa da Real Time Big Data, divulgada em 12 de março, registrou o ex-prefeito com 44% das intenções de voto, contra 39% do atual governador Jerônimo Rodrigues (PT). O ex-deputado federal José Carlos Aleluia (Novo) e o presidente do PSOL na Bahia, Ronaldo Mansur, aparecem empatados com 2% cada. Votos brancos e nulos somam 8%, e 5% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.


