Banco Master repassou R$ 264 milhões a empresa de Augusto Lima, marido de Flávia Peres
Receita também aponta R$ 457 mil à ONG ligada a Flávia Peres
247 - Dados da Receita Federal indicam que o Banco Master declarou ter repassado R$ 264 milhões, entre 2022 e 2025, à empresa Terra Firme da Bahia Ltda, ligada ao empresário Augusto Lima, marido da ex-ministra do governo Jair Bolsonaro (PL) e ex-deputada federal Flávia Peres. As informações foram encaminhadas à CPI do Crime Organizado no Senado e obtidas por Tácio Lorran, do Metrópoles.
Segundo os documentos, a Terra Firme da Bahia Ltda é considerada a base operacional do Credcesta, modalidade de crédito consignado voltada a servidores públicos. A empresa atua como correspondente de instituições financeiras e na gestão de negócios com foco nesse público, sendo apontada como a porta de entrada de Augusto Lima no setor financeiro.
Além disso, os dados da Receita também mencionam que o Banco Master declarou ter transferido R$ 457,2 mil, nos últimos dois anos, ao Instituto Terra Firme, organização presidida por Flávia Peres. A ONG foi criada em novembro de 2023.
Flávia Peres negou a existência de qualquer relação financeira entre o Instituto Terra Firme e o banco. Em nota, afirmou: “O Instituto Terra Firme (ITF) nunca recebeu recursos financeiros do Banco Master. Não há qualquer relação financeira que envolva repasses, dependência econômica ou subordinação entre as instituições”.
No site oficial da entidade, o instituto afirma ter como objetivo atuar no combate à pobreza e às desigualdades sociais. “O Instituto Terra Firme nasceu de um sonho: um sonho de transformar vidas, de garantir uma terra firme para todos e todas. Queremos combater a pobreza e as desigualdades sociais”, diz a organização.
Fundada em janeiro de 2001 e sediada em Salvador, a Terra Firme da Bahia Ltda ampliou sua atuação por meio de convênios e parcerias em mais de 18 municípios da Bahia, além de presença em outros 15 estados. Os dados apresentados à CPI reforçam o foco das investigações sobre a relação entre instituições financeiras, empresas do setor de crédito consignado e organizações vinculadas a figuras públicas.


