Camilo Santana vai reforçar campanha de Elmano à reeleição no Ceará
Pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes ameaça reeleição do governador do PT
247 - A disputa pelo governo do Ceará ganhou contornos mais intensos com a entrada do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na corrida eleitoral e o impacto imediato sobre a estratégia do PT no estado. Diante do avanço do adversário nas pesquisas, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), informou que deixará o cargo para se dedicar integralmente à campanha pela reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro, relata o jornal O Globo.
Em conversas com jornalistas no Ministério da Educação, Camilo explicou os motivos que o levam a considerar o retorno ao mandato de senador para atuar diretamente no estado. “Poderei voltar (ao cargo de senador) para me dedicar, porque vocês sabem que o papel de ministro é no Brasil inteiro, muitas vezes fica ausente no nosso estado. Vou me dedicar muito para que não haja retrocesso no Brasil e no Ceará”, afirmou.
Na mesma ocasião, ele reforçou publicamente o apoio à candidatura de Elmano, afastando, ao menos por ora, especulações sobre uma eventual substituição na cabeça de chapa. “Temos até março para tomar a decisão. Quero dizer aqui claramente que meu candidato é Elmano Freitas. Vou trabalhar para ele e o presidente Lula serem reeleitos”, declarou. Camilo também buscou minimizar qualquer impacto administrativo de uma eventual saída do MEC: “Temos uma grande equipe do MEC. O ministério está rodando bem. Não tenho dúvida que minha saída ou não jamais vai afetar o encaminhamento das ações do MEC”.
A preocupação do PT se intensificou após pesquisa Ipsos-Ipec realizada entre 13 e 16 de dezembro, que apontou Ciro Gomes, agora filiado ao PSDB, com 44% das intenções de voto, contra 34% de Elmano. Em um cenário de segundo turno, o ex-governador do Ceará venceria o atual chefe do Executivo estadual por 49% a 39%, uma diferença de dez pontos percentuais.
Para o PT e o entorno do presidente Lula, manter o controle do Ceará é considerado estratégico. O estado é governado pelo partido desde 2015, constitui um dos principais redutos eleitorais do presidente e representa o terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste. Nesse contexto, Camilo Santana é visto como peça-chave, especialmente após sua atuação decisiva nas eleições municipais de 2024.
Naquele pleito, o ministro tirou duas semanas de férias para atuar diretamente na campanha de Evandro Leitão (PT) à prefeitura de Fortaleza. Leitão iniciou a disputa atrás de Capitão Wagner (União) e André Fernandes (PL), mas conseguiu avançar ao segundo turno e derrotar o candidato do PL, que contava com o apoio de Jair Bolsonaro (PL), tornando-se o único petista eleito para comandar uma capital naquela eleição.
Do lado da oposição, Ciro Gomes deixou o PDT — partido que integra a base de Elmano — e se filiou ao PSDB após manifestar insatisfação com a aproximação da sigla com o PT, tanto no plano estadual quanto nacional.
Desde então, Ciro tem buscado costurar uma frente ampla de oposição ao governo petista no Ceará, dialogando inclusive com nomes ligados ao bolsonarismo. Houve acenos ao deputado federal André Fernandes, mas a possibilidade de aliança encontrou resistência pública da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que se posicionou contra a composição.
Segundo o próprio Ciro, a chapa majoritária em discussão inclui seu nome, o do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União) e o do ex-deputado Capitão Wagner, antigo adversário político no estado. A definição sobre quais cargos cada um disputará ainda está em aberto, assim como a composição da segunda vaga ao Senado, que segue em negociação e deve influenciar os próximos movimentos do tabuleiro político cearense.


