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Liana Cirne protocola representação na PGR contra o Valdemar Costa Neto

A parlamentar pediu uma investigação sobre possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras

Valdemar Costa Neto e Liana Cirne Lins (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil I Divulgação)

247 - A vereadora do Recife e professora de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Liana Cirne Lins, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para solicitar a abertura de investigação sobre declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A representação foi protocolada junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) e tem como alvo falas públicas do dirigente partidário que sugerem possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.

O documento protocolado pela parlamentar pede a apuração de declarações em que Valdemar afirmou esperar o apoio de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida eleitoral. Segundo o dirigente do PL, Trump "vai ajudar" e "quer um governo de direita no Brasil" — frases que, na avaliação da vereadora, extrapolam o campo da opinião política e exigem resposta institucional.

Na representação, Liana Cirne foi direta ao fundamentar o pedido. "Não se trata de opinião política, mas de uma fala que sugere, ainda que de forma indireta, a possibilidade de influência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, o que exige apuração rigorosa", escreveu. A parlamentar também alertou para os riscos à soberania democrática: "A democracia brasileira não pode conviver com dúvidas sobre influência externa. É preciso esclarecer os fatos com transparência e responsabilidade."

A representação sustenta que a legislação eleitoral brasileira veda de forma expressa qualquer modalidade de financiamento ou interferência estrangeira nas eleições, além de garantir a proteção à soberania nacional e à legitimidade do voto popular. O documento argumenta ainda que, dado o peso institucional do cargo de presidente de um partido político, as falas de Valdemar não podem ser relativizadas como simples manifestações de cunho pessoal.

Entre as medidas solicitadas ao Ministério Público Eleitoral, está a convocação de Valdemar Costa Neto para prestar esclarecimentos sobre o real significado da palavra "ajuda" em suas declarações. A representação também pede que sejam investigados eventuais contatos ou tratativas entre o dirigente partidário e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ou pessoas a ele vinculadas, além da natureza desse possível apoio — seja ele político, estratégico, comunicacional ou financeiro. A ação solicita, adicionalmente, que o MP apure a existência de qualquer articulação com agentes estrangeiros que possa configurar interferência indevida no pleito.

Declarações de Valdemar

As declarações que motivaram a ação foram dadas por Valdemar Costa Neto ao programa Frente a Frente, do Canal UOL. Na ocasião, o presidente do PL demonstrou expectativa em relação ao posicionamento do atual presidente dos Estados Unidos e externou estranheza com uma decisão recente do governo norte-americano. 

"Eu espero [o apoio de Trump a Flávio]. Eu espero também que o Trump melhore um pouco a situação dele, porque ele precisa estar em uma situação boa. Eu fiquei meio confuso quando ele tirou a Magnitsky do ministro [Alexandre de Moraes]", afirmou.

Em seguida, Valdemar foi além e deixou clara sua convicção sobre o envolvimento do republicano no cenário político brasileiro. "Ele falou claramente: 'O que estão fazendo com o Bolsonaro é o que queriam fazer comigo'. E depois mudou. Eu acredito que ele vai ajudar o Flávio, não tenho dúvida disso. Ele quer um governo de direita aqui", declarou o dirigente do PL.

Relembre

O episódio se insere em um histórico de aproximações entre a direita brasileira e figuras do entorno político de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Em 2022, o estrategista Steve Bannon se reuniu com o então deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos após o segundo turno das eleições brasileiras e orientou o parlamentar a contestar o resultado das urnas.

A estratégia foi parecida com aquela adotada pelos apoiadores de Trump em janeiro de 2021, quando uma multidão invadiu o Capitólio alegando fraude no sistema eleitoral dos EUA, após a derrota do republicano. A crítica sistemática ao Judiciário e às instituições eleitorais é uma das marcas registradas do marqueteiro estadunidense e tem sido replicada por aliados bolsonaristas no Brasil.

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