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PF aponta que enteado de Jaques Wagner atuou em cobranças a ex-sócio de Vorcaro

Investigação da Operação Compliance Zero indica participação de Eduardo Sodré em cobranças ligadas ao Credcesta e rastreia repasses milionários

Eduardo Mendonça Sodré Martins e Augusto Lima (Foto: GOVBA | Reprodução)
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247 - A Polícia Federal identificou indícios de que Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA) e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia, teve participação direta em cobranças feitas ao banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. As informações constam da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

De acordo com reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, as apurações apontam que Sodré atuava em interlocuções relacionadas à formalização de pagamentos, cobrando documentos e providências junto ao empresário investigado. Procurado pelo jornal por meio das assessorias da Secretaria de Meio Ambiente e da Secretaria de Comunicação do Governo da Bahia, o secretário não havia se manifestado até a publicação da reportagem.

Além de Eduardo Sodré, sua esposa, Bonnie Bonilha, também foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação. Ela é sócia da empresa BN Financeira Ltda., que passou a ser analisada pelos investigadores após movimentações financeiras consideradas atípicas.

Empresa recebeu R$ 3,5 milhões

Segundo a PF, a BN Financeira recebeu R$ 3,5 milhões da empresa PLK One Participações em 17 de outubro de 2025. A companhia que realizou os repasses é apontada como vinculada à operação do Credcesta, cartão consignado destinado a servidores públicos.

As investigações indicam ainda que a BN Financeira foi registrada como microempresa, com baixo capital social e sem estrutura operacional aparente compatível com o volume dos recursos movimentados.

Os investigadores também afirmam que Eduardo Sodré era responsável por realizar cobranças diretamente a Augusto Lima. As mensagens analisadas fazem referência a boletos, notas fiscais e outras exigências relacionadas à efetivação dos pagamentos.

Mensagens citadas pela investigação

Um dos diálogos obtidos pela Polícia Federal ocorreu em 4 de setembro de 2025. Na ocasião, Eduardo Sodré escreveu ao banqueiro: "Amanhã vence os boletos e são altos".

Em resposta, Augusto Lima relatou dificuldades financeiras e associou a situação ao fracasso da operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). O Banco Central havia vetado a negociação um dia antes da troca de mensagens.

A investigação também encontrou planilhas armazenadas no telefone celular do advogado Daniel Lopes Monteiro, apontado como ligado a Augusto Lima. Os documentos registrariam pagamentos que somam R$ 2,3 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que, segundo a PF, seria uma referência a Eduardo Sodré.

Relação com o Credcesta

O caso está inserido no contexto das investigações sobre o Credcesta, produto financeiro criado a partir da antiga rede de supermercados estatal Cesta do Povo, privatizada em 2018 durante a gestão do então governador Rui Costa (PT).

O cartão consignado oferece crédito a servidores públicos e possui contrato de exclusividade com o governo baiano por 15 anos. Segundo as informações citadas na investigação, a operação trabalha com taxas de juros próximas de 4,7% ao mês e utiliza uma margem adicional de 30% de comprometimento da renda dos beneficiários.

As apurações apontam que Augusto Lima buscava novos investidores para sustentar a continuidade do negócio após dificuldades para expandir o modelo para outros estados. Atualmente, a Bahia permanece como a única unidade da federação onde o Credcesta mantém exclusividade para operar esse tipo de serviço até 2033.

Declarações de autoridades

Em abril deste ano, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou que não descartava a possibilidade de suspender o contrato relacionado ao Credcesta. Segundo ele, a decisão dependeria de uma análise jurídica da Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Já em entrevista à Folha de S.Paulo em janeiro, o senador Jaques Wagner declarou que conheceu Augusto Lima em ambiente institucional e que a relação evoluiu para uma amizade.

Na mesma ocasião, Wagner também defendeu a privatização da Cesta do Povo, afirmando que a operação representou um resultado positivo para o estado, uma vez que a empresa pública enfrentava dificuldades financeiras antes da venda.

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