Alexandre Frota se oferece para pagar multa de jornalista perseguido por Zambelli
Luan Araújo teve pena convertida em prisão por não pagar R$ 2.216,30 após condenação por difamação contra ex-deputada
247 - O vereador Alexandre Frota (PDT), ex-deputado federal e hoje parlamentar em Cotia (SP), ofereceu-se para pagar a multa de R$ 2.216,30 imposta ao jornalista Luan Araújo, que teve pena convertida em prisão pela Justiça de São Paulo após condenação por difamação contra Carla Zambelli (PL), então deputada federal. As informações foram publicadas neste sábado (6) pelo Portal G1.
Luan Araújo publicou um texto na internet após o episódio em que Zambelli o perseguiu, sacou e apontou uma arma em sua direção, em outubro de 2022, na véspera do segundo turno da eleição presidencial. O jornalista foi condenado por difamar a ex-parlamentar e, diante do não pagamento da multa, o juiz José Fernando Steinberg converteu a prestação pecuniária em pena privativa de liberdade na última segunda-feira (1º).
Frota comentou em uma publicação feita por Luan nas redes sociais e se colocou à disposição para quitar o valor. "Vamos pagar a multa. Se quiser, pede ao advogado para me ligar", escreveu o vereador.
O comentário ocorreu em uma postagem do próprio jornalista sobre a decisão judicial. A conversão da pena gerou reação de apoiadores de Luan, que apontam desproporcionalidade na medida diante da alegada impossibilidade financeira de pagar a multa de uma só vez.
Luan escreveu o texto que originou a condenação depois de ter sido perseguido por Zambelli em São Paulo. Na publicação, ele afirmou que a então deputada "segue uma seita de doentes de extrema-direita" e "segue cometendo atrocidades atrás de atrocidades".
A defesa do jornalista informou que vai apresentar pedido de habeas corpus na segunda-feira (8). O advogado Renan Bohus afirmou que Luan não tem condições financeiras de pagar integralmente a multa e que pediu o parcelamento da obrigação.
"Nós apresentamos uma petição informando que Luan não possui condições financeiras de arcar com o valor integral da multa imposta na condenação. Diante dessa realidade, requeremos o parcelamento da obrigação, medida plenamente compatível com os princípios da razoabilidade e da individualização da pena.
"Causa estranheza, entretanto, que o pedido tenha sido indeferido e que a consequência adotada tenha sido a conversão da sanção em prisão, apesar da comprovada incapacidade econômica do condenado.
"Em razão dessa decisão, iremos impetrar habeas corpus perante o tribunal competente, buscando sua imediata revisão. Entendemos que a pobreza não pode ser tratada como motivo para encarceramento e que a execução da pena deve observar os limites constitucionais e a situação concreta do condenado.
"Luan foi condenado por crime contra a honra, não por crime cometido com violência ou grave ameaça. A discussão, neste momento, não é sobre descumprimento voluntário da pena, mas sobre impossibilidade financeira de cumprir a obrigação nos termos estabelecidos. É justamente por isso que buscaremos a reforma da decisão por meio das medidas judiciais cabíveis."
No ano passado, Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, em razão do episódio envolvendo Luan Araújo.
A ex-deputada também responde a outro processo. No mês passado, ela deixou a prisão na Itália após a Justiça italiana anular a extradição ao Brasil no caso em que recebeu condenação por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Zambelli estava presa desde 29 de julho de 2025 em um presídio nos arredores de Roma que abriga mulheres em regimes de segurança média e alta. Ainda tramita na Justiça italiana um segundo processo de extradição, relacionado à condenação por porte ilegal de armas e ameaça com arma de fogo.



