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Justiça italiana rejeita extradição de Carla Zambelli, diz advogado

Defesa afirma que Suprema Corte italiana anulou decisão favorável ao pedido do STF

Justiça italiana rejeita extradição de Carla Zambelli, diz advogado (Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)
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247 - A Justiça da Itália negou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), decisão que pode abrir caminho para sua libertação no país europeu. De acordo com o G1,  os advogados da ex-deputada afirmaram que a Suprema Corte de Cassação, a mais alta instância do Judiciário italiano, anulou a decisão anterior da Corte de Apelações da Itália, que havia autorizado a extradição a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF). Até a publicação da reportagem, no entanto, a Suprema Corte italiana ainda não havia divulgado oficialmente o acórdão da decisão.

Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a condenação, ela deixou o Brasil e passou pelos Estados Unidos antes de se estabelecer na Itália.

Em dezembro, o STF também determinou a cassação do mandato da então deputada, revertendo entendimento anterior da Câmara dos Deputados. Três dias depois, Zambelli apresentou carta de renúncia ao cargo.

Cidadania italiana esteve no centro da disputa

A cidadania italiana da ex-parlamentar foi um dos principais pontos debatidos durante o processo de extradição. Em março deste ano, a Justiça italiana havia decidido que a dupla nacionalidade não impediria automaticamente o envio de Zambelli ao Brasil.

Na ocasião, o tribunal afirmou que a cidadania italiana da ex-deputada possuía um “status meramente formal” e destacou que ela não apresentava “enraizamento social, territorial ou cultural efetivo na Itália”.

A decisão judicial ressaltava ainda que Zambelli obteve a cidadania por direito de sangue, enquanto sua trajetória política e profissional foi construída integralmente no Brasil. O documento também afirmava que a dupla cidadania “não tem qualquer significado impeditivo” e que, ao contrário, “fortalece o vínculo jurídico entre a pessoa e o Estado requerente”. A defesa sustentava que, como o Brasil não extradita brasileiros natos e adota o princípio da reciprocidade, a Itália deveria seguir a mesma lógica e rejeitar o pedido feito pelo STF.

Tratado entre Brasil e Itália entrou em debate

Brasil e Itália mantêm um tratado bilateral de extradição em vigor desde 1993. O acordo determina que os dois países devem entregar pessoas procuradas pela Justiça do outro Estado, seja para julgamento, seja para cumprimento de pena. Segundo a defesa de Zambelli, a aplicação do tratado deveria considerar o princípio da “cooperação paritária” entre os dois países.

Presídio onde Zambelli está presa enfrenta superlotação

A ex-deputada está detida em uma penitenciária feminina localizada no bairro de Rebibbia, em Roma. A unidade enfrenta problemas de superlotação: embora tenha capacidade para 272 mulheres, atualmente abriga 371 presas.

Dados do Ministério da Justiça italiano apontam também déficit de funcionários. Até junho deste ano, o local contava com 181 agentes penitenciários, abaixo do número considerado ideal, de 214. 

Construída na década de 1950, a penitenciária possui alas coletivas, áreas esportivas, biblioteca, salas de aula, teatro e atendimento médico permanente. Zambelli está alojada na ala destinada a mulheres que ainda aguardam julgamento.

Justiça italiana pediu informações sobre prisão no Brasil

Durante o processo, a defesa da ex-deputada também questionou as condições do sistema penitenciário brasileiro. Por isso, a Justiça italiana suspendeu temporariamente o julgamento para solicitar esclarecimentos sobre a unidade prisional onde Zambelli ficaria detida no Brasil.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, encaminhou um documento com informações sobre a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

Segundo o relatório enviado às autoridades italianas, a unidade oferece cursos técnicos, atendimento médico e segue padrões de segurança, salubridade e assistência às detentas. O documento também afirma que a prisão nunca registrou rebeliões.

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