André Ceciliano reage a ataques de Paes, critica tom exaltado e aponta neutralidade eleitoral
André Ceciliano rebate acusações do prefeito do Rio, nega articulação para eleição indireta e cobra posição clara na disputa presidencial
247 - O embate político entre o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e o secretário de Assuntos Legislativos do Palácio do Planalto, André Ceciliano (PT), ganhou novos capítulos na segunda-feira (19) em meio às articulações para a sucessão no governo estadual. Alvo de críticas públicas do prefeito, o petista reagiu com dureza, classificando as declarações como excessivas e interpretando o discurso como um sinal de que Paes pode optar pela neutralidade na eleição presidencial.
O confronto verbal entre os dois atores políticos ocorre em um contexto marcado pela possibilidade de uma eleição indireta no estado do Rio de Janeiro ainda em 2026, após a desincompatibilização do governador Cláudio Castro (PL) para disputar uma vaga no Senado.
Eduardo Paes afirmou que André Ceciliano estaria construindo uma candidatura para essa eventual eleição indireta e associou o petista ao ex-presidente da Assembleia Legislativa Rodrigo Bacellar (União), afastado do cargo e preso. Em resposta, Ceciliano negou qualquer articulação eleitoral nesse sentido e criticou o tom adotado pelo prefeito. “Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava, e isso me deixa sinceramente lisonjeado”, afirmou.
O secretário do Planalto reconheceu que tem sido procurado por parlamentares de diferentes correntes ideológicas para discutir a hipótese de disputar o cargo de governador em uma eleição indireta, mas condicionou qualquer decisão ao impacto nacional do movimento. “Tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no estado berço do bolsonarismo”, declarou.
Ceciliano também elevou o tom ao avaliar o posicionamento político de Paes e de seus aliados. Segundo ele, o prefeito e seu entorno estariam se afastando do campo progressista. “Já deram todos os indicativos que pretendem se manter neutros em relação à eleição presidencial e já estão se aliando a nomes do bolsonarismo no estado, como o pastor Silas Malafaia e o governador Cláudio Castro”, disse. Em seguida, cobrou uma definição pública do prefeito: “É chegada a hora de o prefeito se manifestar publicamente se será, de fato, um aliado do presidente nas eleições deste ano ou agirá de acordo com a sua fama de político que só pensa em si, sem palavra e que não tem gratidão por aqueles que um dia o ajudaram quando ele mais precisou”.
Do outro lado, Eduardo Paes confirmou que será candidato ao governo do estado, reiterou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ressaltou que não pretende nacionalizar sua campanha. Ao comentar diretamente o caso de Ceciliano, voltou a fazer associações com Bacellar. “O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa. E não serei refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém”, afirmou em entrevista.
A disputa ocorre em um cenário institucional delicado. O Rio de Janeiro está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha assumiu uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, o que obriga a Assembleia Legislativa a eleger, de forma indireta, quem comandará o Palácio Guanabara até o fim do mandato. A votação deve ocorrer por volta do meio do ano, caso Cláudio Castro deixe o cargo no início de abril.
Paes afirmou ainda que não disputará essa eleição indireta e que seu foco está nas eleições de outubro. Nos bastidores, circula a possibilidade de um acordo para a escolha do secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), como governador-tampão, sem envolvimento direto na corrida eleitoral. Já André Ceciliano, caso viesse a vencer uma eventual eleição indireta, seria naturalmente reconduzido ao centro do debate político estadual, reforçando o clima de tensão que hoje marca a relação entre os dois grupos.
Leia, na íntegra, a resposta de Ceciliano:
Sobre o ataque despropositado feito hoje, 19.01, pelo prefeito Eduardo Paes em relação ao meu nome, me associando ao deputado Rodrigo Bacellar numa possível candidatura na eleição indireta para governador, que deverá acontecer em breve, no âmbito da Alerj, é preciso dizer que:
1) Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava - e isso me deixa sinceramente lisonjeado.
2) Sim, tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no Estado berço do bolsonarismo no Brasil.
3) O prefeito e o seu entorno já deram todos os indicativos que pretendem se manter neutros em relação à eleição presidencial e já estão se aliando a nomes do bolsonarismo no Estado, como o pastor Sila Malafaia e governador Claudio Castro, com quem afirma já ter um acordo para eleger um nome do PL para o mandato-tampão.
4) É chegada a hora de o prefeito se manifestar publicamente se será, de fato, um aliado do presidente nas eleições deste ano ou agirá de acordo com a sua fama de político que só pensa em si, sem palavra e que não tem gratidão por aqueles que um dia o ajudaram quando ele mais precisou.
Atenciosamente
Andre Ceciliano


