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PT avalia candidatura de André Ceciliano a governo tampão no Rio

Movimentação ocorre diante da possível renúncia de Cláudio Castro para disputar o Senado

André Ceciliano (Foto: Rayza Hanna (Divulgação-Alerj))

247 - A pouco mais de dois meses do prazo final para que Cláudio Castro (PL) deixe o cargo de governador do Rio de Janeiro caso decida disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro, o cenário político fluminense entra em fase de intensa articulação. A eventual renúncia do governador abriria caminho para a escolha de um chefe do Executivo estadual por meio de eleição indireta, com mandato até janeiro de 2027. As informações são do G1.

a possibilidade de um governo tampão tem levado o Partido dos Trabalhadores a discutir internamente a candidatura de André Ceciliano, atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, para o cargo. A estratégia estaria ligada à necessidade de estruturar um palanque presidencial sólido para Lula (PT) no estado do Rio de Janeiro.

A eleição indireta se tornaria necessária por uma combinação de fatores institucionais. O estado está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha assumiu uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado (TCE), em maio de 2025. Na linha sucessória, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), encontra-se afastado do cargo e do comando da Casa após uma operação da Polícia Federal. Com isso, caberia ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, assumir interinamente o governo e convocar a eleição indireta, conforme prevê a legislação estadual.

Nesse contexto, o nome de André Ceciliano surge como opção estratégica para o PT. Ex-presidente da Alerj entre 2019 e 2023, ele mantém influência entre deputados estaduais, justamente os responsáveis por eleger o governador tampão. O partido avalia que o controle da máquina estadual durante o período eleitoral poderia favorecer a reeleição presidencial de Lula e também servir como instrumento de pressão política sobre o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD).

Paes já confirmou sua pré-candidatura ao governo estadual e acompanha de perto as articulações em torno de quem ocupará o Palácio Guanabara durante a campanha. No PT, há a avaliação de que o prefeito, que precisará ampliar sua votação no interior do estado — considerado mais alinhado ao bolsonarismo —, tende a evitar uma associação direta com o presidente Lula em seu palanque eleitoral.

Enquanto isso, Eduardo Paes mantém postura cautelosa e observa tanto os movimentos do PT quanto os da direita fluminense, que também se encontra fragmentada. Do lado do atual governador, Cláudio Castro defende que o cargo de governador tampão seja ocupado por Nicola Miccione, secretário estadual da Casa Civil. A escolha teria como argumento o fato de Miccione não disputar as eleições de outubro, o que evitaria interferências diretas no processo eleitoral.

Paes, no entanto, vê com preocupação a possibilidade de um mandato tampão exercido por Douglas Ruas, secretário estadual das Cidades, que pretende concorrer ao governo. Caso fosse eleito indiretamente pela Alerj, Ruas poderia tentar a reeleição em outubro, cenário considerado mais um obstáculo no caminho político do prefeito carioca.

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