Banco Master devolve escritórios em SP e impacta mercado imobiliário
Banco devolve áreas de alto padrão e amplia oferta corporativa
247 - A devolução de escritórios pelo Banco Master na Vila Olímpia, em São Paulo, amplia a oferta de imóveis corporativos de alto padrão e deve provocar efeitos imediatos no mercado imobiliário da região, com aumento pontual da vacância e reconfiguração da demanda por grandes lajes. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo, com base em dados da consultoria Newmark, que detalhou a dimensão da presença do banco na região e os desdobramentos após sua liquidação pelo Banco Central.
Segundo o levantamento, o Banco Master chegou a ocupar quase 30 mil metros quadrados distribuídos em três edifícios no principal centro financeiro da capital paulista. A maior parte desse espaço estava concentrada no Auri Plaza, com 13.960 m² — praticamente todo o prédio — e aluguel estimado em cerca de R$ 3,9 milhões mensais. O contrato foi encerrado nesta semana e não houve renovação.
Outras áreas menores ocupadas pelo banco nos edifícios Pátio Malzoni e B32 já estão sendo negociadas com novos inquilinos, indicando rápida movimentação do mercado para absorver os espaços disponíveis.
A devolução dos imóveis ocorre após o colapso do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central. O caso evoluiu para investigações de grande repercussão no sistema financeiro nacional e levou à prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Apesar do impacto imediato, especialistas avaliam que os efeitos no mercado tendem a ser temporários. Mariana Hanania, head de pesquisa da Newmark, aponta que a taxa de vacância de escritórios de alto padrão na Vila Olímpia vinha em queda e encerrou o primeiro trimestre em 15,3%, equivalente a cerca de 50 mil m² disponíveis. Esse indicador ainda não inclui uma eventual desocupação completa do Auri Plaza, que poderia elevar a vacância para próximo de 20%.
Mesmo assim, a expectativa é de absorção gradual dessas áreas. A demanda por espaços corporativos de alto padrão voltou a crescer nos últimos dois anos, impulsionando a retomada do setor após o período pós-pandemia. Atualmente, cerca de 70 empresas ocupam áreas superiores a 10 mil m² na região, frente a 52 em 2021.
A saída do banco também traz um efeito considerado positivo por consultores: a volta ao mercado de grandes áreas contínuas, que haviam se tornado escassas. Esse tipo de espaço é especialmente valorizado por empresas que buscam centralizar operações em um único endereço.
Para Eduardo Cardinali, da Binswanger Brazil, a nova oferta tende a atrair companhias que aguardavam oportunidades desse perfil na Vila Olímpia. A vacância pode subir no curto prazo, com estimativas de aumento de até cinco pontos percentuais, mas a tendência é de recomposição ao longo dos próximos trimestres.
Outro impacto esperado é sobre os preços. O Auri Plaza deve retornar ao mercado com valores elevados por metro quadrado, o que pode influenciar a média da região mesmo em um cenário de maior oferta. No segmento de alto padrão, fatores como localização, qualidade construtiva e disponibilidade de grandes áreas pesam mais do que o histórico do ocupante anterior.
O cenário de aquecimento do mercado imobiliário corporativo em São Paulo reforça essa perspectiva. Levantamento da consultoria JLL indica que a taxa de vacância desse segmento atingiu o menor nível em 14 anos no primeiro trimestre de 2026. No período, foram registradas pelo menos seis transações acima de 5 mil m², evidenciando a retomada consistente da demanda.
Regiões próximas às avenidas Juscelino Kubitschek e Chucri Zaidan lideraram a absorção de novos espaços, enquanto a área da Rebouças zerou a vacância em edifícios já entregues. No próprio B32, onde o Banco Master mantinha parte de suas operações, cerca de 8.100 m² foram devolvidos e rapidamente ocupados por outro grande inquilino, demonstrando a dinâmica de reposição do mercado.


