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Candidatura própria em Minas divide o PT

Plano do PT em Minas Gerais irrita Marília Campos, que defende frente ampla para fortalecer palanque de Lula no estado

Marília Campos e Lula (Foto: RICARDO STUCKERT/PR)
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247 - O plano do PT em Minas Gerais de lançar candidatura própria ao governo estadual abriu uma crise interna e provocou reação da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, hoje apontada como pré-candidata ao Senado. A dirigente petista discorda da estratégia e defende a construção de uma frente ampla, com apoio a um nome de outro partido, para fortalecer o palanque do presidente Lula (PT) no segundo maior colégio eleitoral do país, relata o jornal O Globo.

A direção nacional do PT deve tentar convencer Marília Campos a disputar o governo mineiro, embora ela resista à ideia. A ex-prefeita vinha articulando apoio ao ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo, do MDB, em uma composição mais ampla com partidos da base lulista e outras legendas do campo democrático.

A decisão do diretório estadual petista, que teria recebido aval de Lula, causou incômodo entre aliados de Marília. Para ela, uma candidatura própria do PT ao governo de Minas pode reduzir suas chances na disputa pelo Senado e reacender o antipetismo no estado.

Em nota enviada à imprensa, Marília afirmou que a decisão, embora legítima do ponto de vista partidário, é politicamente arriscada. “Embora legítima do ponto de vista partidário, ela (a decisão) representa um equívoco estratégico que pode fragilizar o campo democrático e popular no estado”, declarou a ex-prefeita.

Marília também avaliou que a polarização pode dificultar a formação de uma maioria eleitoral em Minas. “Reproduzir uma disputa fortemente polarizada tende a recolocar no centro do debate conflitos que pouco contribuem para enfrentar os problemas concretos dos mineiros, além de dificultar a formação de uma maioria política capaz de sustentar o projeto democrático liderado pelo presidente Lula”, afirmou.

Nos bastidores, setores do PT avaliam que Marília é hoje o nome mais competitivo do partido para uma eventual disputa ao governo de Minas. Sua entrada na corrida pelo Executivo, porém, alteraria o tabuleiro interno. O deputado Reginaldo Lopes, por exemplo, poderia ganhar espaço como candidato ao Senado. Com isso, outros nomes da legenda também seriam beneficiados em disputas proporcionais, caso ele deixasse de concorrer à Câmara.

A ex-prefeita deve se reunir nos próximos dias com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. A direção petista pretende discutir com ela os cenários eleitorais e a possibilidade de enquadrar as alianças estaduais dentro de uma estratégia nacional de apoio a Lula.

A articulação em Minas envolve partidos que integram ou orbitam a base do governo federal, mas que estão divididos no estado. O PDT tem o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil como pré-candidato. O PSB também avalia alternativas, enquanto o PSOL mantém discussões internas sobre candidatura própria. Para parte do PT, Kalil já foi visto como uma opção preferencial para representar um palanque competitivo de Lula em Minas.

Caso o PT insista em candidatura própria, uma das possibilidades em debate é tentar um acordo com o PDT para evitar a candidatura de Kalil. As conversas também podem envolver compensações em outros estados, como o Rio Grande do Sul, onde setores pedetistas defendem apoio petista a Juliana Brizola, neta de Leonel Brizola.

Antes de consolidar a defesa de uma candidatura própria, o PT mineiro avaliou diferentes alternativas. O nome preferido de Lula por um período foi o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, do PSB, mas ele desistiu da disputa após meses de indefinição. Depois, houve uma tentativa de reaproximação com Kalil. Mais recentemente, ganharam força as conversas com Gabriel Azevedo, do MDB.

Marília Campos teve participação direta nessa aproximação com o MDB. Foi ela quem abriu interlocução entre Gabriel Azevedo e a cúpula petista. O emedebista chegou a almoçar em Brasília com Edinho Silva e com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, em meio às tratativas para uma possível composição eleitoral.

A ex-prefeita sustenta que o PT deveria liderar uma aliança ampla, mas sem necessariamente encabeçar a chapa ao governo estadual. Em sua avaliação, a prioridade deve ser derrotar o campo conservador e garantir uma base sólida para Lula em Minas. “O caminho não é apresentar uma candidatura própria, mas liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, PSOL, PDT e outras forças que sustentam o governo federal”, afirmou Marília.

Ela também citou a eleição presidencial de 2022 como exemplo de estratégia bem-sucedida baseada em alianças. “A eleição de Lula em 2022 demonstrou que os melhores resultados surgem do diálogo, da convergência e das frentes ampla”, disse.

O cenário eleitoral mineiro segue indefinido também fora da esquerda. O senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, aparece como líder nas pesquisas, mas ainda não confirmou candidatura. O governador Mateus Simões, do PSD, que assumiu o Palácio Tiradentes após a saída de Romeu Zema (Novo), pretende disputar a reeleição, mas ainda busca maior tração política.

No campo bolsonarista, o presidenciável Flávio Bolsonaro, do PL, também não tem palanque definido em Minas Gerais. A ausência de uma composição clara no estado aumenta a importância das negociações em torno da chapa lulista e amplia a pressão sobre o PT para definir se apostará em nome próprio ou em uma frente mais ampla na disputa de 2026.

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