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Careca do INSS corrompeu policiais para forjar furto de carro de luxo, aponta PF

Investigação da Polícia Federal indica esquema com agentes civis para simular roubo de Audi avaliado em R$ 377 mil

Empresário Antônio Carlos Camilo Antunes (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

247 - A Polícia Federal identificou indícios de que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como 'Careca do INSS', teria atuado para forjar o furto de um carro de luxo em São Paulo, com a participação de policiais civis. Segundo a apuração, o veículo envolvido é um Audi RS6 avaliado em R$ 377 mil, e a suspeita é de que o crime tenha sido simulado, informa Tácio Lorran, do Metrópoles.

De acordo com decisão sigilosa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, há “fortes indícios” de que o lobista “teria corrompido duas policiais civis do Estado de São Paulo, [sendo] uma investigadora e uma escrivã, para que forjassem a prática de um suposto crime de furto do veículo Audi”.

Policiais afastadas e investigação em curso

As investigações apontam que as duas servidoras — uma investigadora e uma escrivã — foram afastadas de suas funções em 19 de dezembro de 2025. Elas também foram alvo de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça paulista e respondem tanto na esfera criminal quanto na disciplinar.

Apesar do afastamento, ambas continuam recebendo normalmente seus salários. A investigadora de 2ª classe recebe R$ 8.226,32, enquanto a escrivã de 3ª classe tem remuneração de R$ 6.959,33. Até o momento, nenhuma das duas se manifestou publicamente sobre o caso.

Elementos encontrados pela Corregedoria

Segundo o relato citado por André Mendonça, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo encontrou indícios adicionais durante as apurações. “No veículo de uma das duas policiais foram localizados dois cadernos, sendo que, em um deles, havia até mesmo anotações sobre apólices de seguro de veículos de propriedade de Antonio Camilo”, registrou o ministro.

As informações reforçam a suspeita de que o caso possa envolver tentativa de fraude relacionada a seguros ou registros oficiais do suposto furto.

Defesa do lobista

A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes afirmou que confia na Justiça e destacou que o cliente ainda não foi ouvido no processo. A advogada Danyelle Galvão declarou que o lobista teria sido vítima de extorsão por parte de um ex-funcionário.

Segundo ela, esse ex-funcionário é acusado pelo próprio lobista de subtrair bens, incluindo outro veículo de luxo.

Identificação das investigadas

Embora a decisão do STF não mencione os nomes das policiais, a apuração identificou as servidoras como Karla Rodrigues e Anna Lygia Paredes Gatti. Ambas permanecem sob investigação enquanto o caso segue em análise pelas autoridades competentes.

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