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Docentes da USP aprovam greve por reajuste salarial

Professores cobram aumento acima da inflação, reabertura de negociações e diálogo da reitoria com estudantes em paralisação

Universidade de São Paulo (Foto: Marcos Santos/USP )
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247 - Docentes da Universidade de São Paulo aprovaram adesão à greve por reajuste salarial nesta segunda-feira (25), em assembleias realizadas em diferentes campi da instituição. De acordo com o Metrópoles, a mobilização envolve professores do Butantã, em São Paulo, além de São Carlos, Pirassununga, Ribeirão Preto e Piracicaba, e amplia a pressão sobre a reitoria em meio à paralisação estudantil.

A Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) aprovou a decisão, mas cada instituto ainda realizará votações próprias para definir a adesão local. A paralisação dos estudantes já dura cinco semanas e coloca no centro do debate a política de permanência, as condições dos restaurantes universitários e a relação da reitoria com o movimento discente.

A campanha salarial das universidades estaduais paulistas aparece como um dos principais pontos da mobilização dos docentes. Os professores afirmam que o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) apresentou proposta de reajuste de 3,47%, índice ligado à inflação medida pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A categoria rejeita o percentual e cobra uma recomposição maior.

Além do reajuste, os docentes criticam a condução das negociações pela reitoria e defendem a retomada do diálogo com os estudantes. A mobilização também incorpora demandas relacionadas ao calendário acadêmico, ao Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) e à resposta institucional aos conflitos recentes na universidade.

Adusp cobra negociação e critica ação da PM

A Adusp afirmou que a assembleia decidiu pela greve diante da falta de avanços nas tratativas conduzidas pelo Cruesp e pela Reitoria da USP. A entidade também se posicionou contra a desocupação da reitoria pela Polícia Militar (PM), ocorrida em 10 de maio.

“A assembleia dos docentes da USP, reunida em 25 de maio, aprovou a deflagração de greve diante da ausência de avanços efetivos nas negociações conduzidas pelo Cruesp e pela Reitoria da USP. A decisão expressa a necessidade urgente de reabertura de negociações reais entre o Cruesp e o Fórum das Seis, bem como entre a Reitoria e os estudantes, de forma transparente e comprometida com a construção de soluções para a crise instalada na universidade”, afirmou.

“Entre os principais pontos que motivam a greve estão a reivindicação de reajuste salarial correspondente a inflação anula medida pelo IPCA (4,39%) acrescido de 3%, como parte do processo de recuperação das perdas históricas acumuladas pelos trabalhadores das universidades estaduais paulistas; o avanço na proposta apresentada pelos estudantes para aumento do valor do PAPFE; e a reorganização do semestre acadêmico diante dos impactos provocados pela paralisação e pelo conflito em curso”, acrescentou. 

“A assembleia também defende a não criminalização e a não punição dos estudantes mobilizados, reafirmando o compromisso da universidade com o diálogo democrático e a livre organização política. Além disso, exige a apuração das responsabilidades pela ação da Polícia Militar durante a desocupação da Reitoria da USP.”

Estudantes mantêm paralisação desde abril

Os estudantes da USP aprovaram greve em 15 de abril, durante assembleia geral convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) Alexandre Vannucchi Leme. O ato ocorreu no vão da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP).

Entre as principais reivindicações, os alunos cobram melhores condições nos bandejões e o fim da privatização, aumento do PAPFE para um salário mínimo paulista, ampliação dos programas de permanência estudantil, defesa dos espaços estudantis e isonomia entre docentes e funcionários.

A paralisação discente segue em curso, com tentativas de negociação com a reitoria para avançar nas demandas apresentadas pelo movimento estudantil. A adesão dos docentes, ainda sujeita a votações por instituto, aumenta o alcance da crise interna na maior universidade pública do país.

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