Garotinho questiona imagem pública de ex-integrante do BOPE: "Capitão de Papel"
Ex-governador do RJ afirma que Rodrigo Pimentel construiu reputação distante de sua atuação real
247 - O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho usou as redes sociais para questionar a trajetória profissional de Rodrigo Pimentel, ex-integrante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ). No texto, Garotinho sustenta que a imagem pública projetada por Pimentel como referência operacional em segurança pública não corresponderia à sua atuação dentro da corporação.
Na publicação, o ex-governador afirma que a sociedade "está cansada de 'falsos heróis'", personagens que, segundo ele, "vendem soluções que nunca souberam executar, transformam omissão em currículo, fracasso operacional em narrativa e covardia em produto comercial". Nesse contexto, Garotinho classifica Rodrigo Pimentel como "Capitão de Papel", expressão usada para caracterizar alguém que teria construído carreira explorando uma imagem que não lhe pertenceria.
Relatos contradizem imagem divulgada por Pimentel, afirma Garotinho
Segundo Garotinho, a avaliação apresentada no texto se baseia em relatos de policiais que integraram o BOPE e "estiveram lá", em contraposição ao que chama de um "BOPE de roteiro". Ele afirma que, dentro da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, a imagem difundida por Pimentel em palestras, entrevistas e podcasts "não se sustenta".
A postagem sustenta que, ao longo de aproximadamente cinco anos no BOPE, Rodrigo Pimentel teria participado de "menos de 25 operações", a maioria delas de caráter administrativo. Para Garotinho, esse histórico não seria compatível com o perfil "implacável" que o ex-oficial passou a vender após deixar a corporação.
Ainda de acordo com o texto, Pimentel teria permanecido na unidade mesmo diante de avaliações técnicas e psicológicas consideradas incompatíveis com o rigor exigido pelo batalhão, beneficiado por privilégios internos. Garotinho afirma também que, após declarações públicas classificadas como "traição institucional", o ex-integrante do BOPE teria sido processado e condenado.
Saída da corporação e atuação como palestrante
Segundo a publicação, a saída de Rodrigo Pimentel da PMERJ ocorreu às vésperas de sua expulsão, por meio de aposentadoria por invalidez, amparada por laudo médico que apontaria surdez. Após deixar a corporação, ele passou a atuar como comentarista de segurança pública, palestrante e especialista no tema.
Na postagem, Garotinho destaca ainda contratos firmados por Pimentel com entes públicos e cita, como exemplo, um acordo com o governo do Amapá, no qual ele teria recebido R$ 105 mil por uma palestra de uma hora e meia. O valor é apresentado como contraste em relação à remuneração de policiais que permanecem em atividade por décadas.
Na parte final da postagem, o ex-governador lança uma pergunta direta: se Rodrigo Pimentel é tudo o que afirma ser, "por que nunca foi chamado para instruir a Polícia Militar do próprio estado?". Em seguida, ele afirma que, no Rio de Janeiro, "a polícia conhece a verdadeira história do Capitão de Papel".

