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Haddad chama privatização da Sabesp de "lambança" e diz que Tarcísio criou a "Enel da água"

Pré-candidato ao governo de SP, Haddad afirmou que pretende reavaliar contrato de concessão caso seja eleito

Haddad chama privatização da Sabesp de "lambança" e diz que Tarcísio criou a "Enel da água" (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP / Diogo Zacarias/MF / Gilberto Marques/GovSP / IA / Brasil 247)
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247 - O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou nesta quinta-feira (21) o processo de privatização da Sabesp, realizado durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ex-ministro da Fazenda afirmou que pretende reavaliar cláusulas do contrato de concessão firmado com municípios paulistas caso seja eleito em 2026. As informações são do jornal O Globo.

Haddad classificou a privatização como uma "lambança" e acusou o bolsonarista Tarcísio de Freitas de criar a "Enel da água". A declaração ocorreu em referência à concessionária de energia elétrica frequentemente alvo de reclamações por apagões na região metropolitana de São Paulo.

"A Sabesp supera a Enel em queixas no Procon, em termos de mau atendimento, e não podemos admitir isso. Esse problema tem a ver com o contrato que foi assinado. Eu vou ter que averiguar as cláusulas protetivas dos consumidores, porque as pessoas estão se sentindo desamparadas com essa lambança que foi feita", declarou Haddad.

O petista também afirmou que "a experiência da privatização não está dando certo", mencionando "acidentes horríveis" e "vidas sendo perdidas". Haddad participou de um debate promovido pelo centro acadêmico da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Osasco. Durante o evento, defendeu a política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticou a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

"Existem várias formas de se corrigir, mas não optamos pela receita tradicional, de cortar verba da educação, da saúde, de congelar salário mínimo, tabela do Imposto de Renda, de não dar reajuste para o funcionalismo. Durante sete anos, isso foi feito, incluindo venda de patrimônio, privatizações sem critério para fazer caixa. A gente não quis fazer de novo um ajuste em cima de quem passou sete anos a pão e água", afirmou.

Definição da chapa

Em conversa com jornalistas, Haddad disse esperar concluir as negociações sobre a chapa para a eleição estadual até o fim de maio. O ex-ministro evitou comentar uma eventual preferência de Lula pelos nomes de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) para a disputa ao Senado.

"Eu não conversei com ele (Lula) sobre isso, mas nos próximos dias devemos nos reunir com as lideranças para ver se até o final do mês de maio fechamos a chapa direitinho", disse.

"As pesquisas estão revelando que os três são nomes muito competitivos ao Senado, mas entendemos que talvez seja o caso de lançar dois nomes, e não três, do campo. Vamos conversar com muita maturidade e não vejo dificuldade de chegarmos a uma boa solução", acrescentou.

Caso Master

Haddad também voltou a relacionar o escândalo envolvendo o Banco Master a integrantes do governo Bolsonaro. O petista citou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e mencionou doações eleitorais feitas por um cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro a Bolsonaro e Tarcísio. Segundo ele, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) integra o "núcleo duro" investigado pela Polícia Federal.

"A Polícia Federal está com liberdade total, dada pelo presidente Lula, para investigar todo mundo. Agora, que existe um núcleo duro no sistema Master com o Bolsonaro, isso aí está patente. Não adianta querer tapar o sol com a peneira. E o Flávio, como representante desse núcleo duro, vai ter que responder sobre todos esses personagens. Tem dinheiro público envolvido e uma sucessão de omissões que não se sustentam mais", afirmou.

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