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Haddad cobra apuração de contrato de Tarcísio com empresa offshore

Contrato de R$ 475,8 milhões da Prodesp com empresa ligada a Delaware e Bahamas será levado ao Ministério Público

Fernando Haddad (Foto: Reprodução (Podcast 3 Irmãos))
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247 - Pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad afirmou, em entrevista ao podcast Três Irmãos, que a administração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá de passar por uma revisão após denúncia sobre um contrato de R$ 475,8 milhões ligado ao programa Muralha Paulista. O caso envolve a Prodesp, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo e a empresa Paladium Corp Desenvolvimento de Tecnologia Ltda., apontada em representação ao Ministério Público de São Paulo.

Na entrevista, o petista aproveitou para denunciar outro foco de corrupção no governo Tarcísio. Haddad fez referência à saída do coronel José Augusto Coutinho do comando da Polícia Militar após ser mencionado em um inquérito que apura a atuação de policiais como seguranças de supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) ligados à empresa de ônibus Transwolff.

De acordo com Haddad, a gestão na área da segurança pública é "muito problemática". "A Polícia Civil está desprestigiada, com problemas crônicos. É muita tecnologia para colocar inteligência no combate ao crime", afirmou.

"Dois focos de corrupção a serem investigados. É grave", afirmou Haddad. "Vamos ter que passar em revista a administração do Tarcísio. Houve uma denúncia em relação ao contrato da Prodesp, com dinheiro da Secretaria de Segurança, que contratou, por quase meio bilhão de reais, uma empresa formada há menos de um ano."

O contrato citado por Haddad se relaciona ao programa Muralha Paulista, iniciativa da área de segurança pública do governo estadual. A denúncia afirma que a Prodesp teria firmado uma "Parceria em Oportunidade de Negócio" com a Paladium e, depois disso, fechado contrato com dispensa de licitação com a Secretaria da Segurança Pública para implantar a solução tecnológica da empresa.

Haddad também destacou a localização da sede da companhia nos Estados Unidos e relacionou o tema a denúncias feitas pelo presidente Lula sobre lavagem de dinheiro.

"A sede dela fica em Delaware, um paraíso fiscal nos EUA. Lula, em uma das conversas com Trump, tem denunciado a prática de lavagem de dinheiro do crime organizado brasileiro em Delaware", afirmou.

O caso ganhou força política por envolver um contrato de alto valor, dispensa de licitação e uma empresa com pouco tempo de existência.

Segundo Haddad, as informações seguirão para o Ministério Público. "Como é que uma empresa com menos de um ano de existência consegue um contrato de meio bilhão de reais com o governo do estado, sem licitação?", questionou.

Denúncia aponta triangulação contratual

A representação apresentada por Antonio Donato ao Ministério Público de São Paulo acusa o governo Tarcísio de usar a Prodesp como intermediária para transferir recursos públicos à Paladium. O parlamentar sustenta que a operação teria criado uma triangulação contratual para viabilizar a contratação indireta de um fornecedor privado sem concorrência pública.

Donato pede a suspensão imediata do contrato e a abertura de inquérito civil para apurar possível improbidade administrativa e dano ao erário. A denúncia também questiona cláusulas de propriedade intelectual que, segundo o deputado, poderiam criar dependência tecnológica do estado em relação à empresa privada.

Outro ponto da representação mira a estrutura societária da Paladium. O documento afirma que a empresa nasceu em julho de 2024 e teria vínculos com holdings em Delaware, nos Estados Unidos, e Nassau, nas Bahamas.

A denúncia também aponta indícios de sobrepreço. Segundo Donato, soluções de mercado com funções semelhantes poderiam custar cerca de 10% dos valores apresentados pelo governo paulista.

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