HOME > Sudeste

Haddad rebate Tarcísio e diz que SP estaria em situação fiscal difícil sem apoio do governo federal

Em evento em São Paulo, ex-ministro da Fazenda diz que renegociação de dívidas evitou cenário mais difícil no estado e rebate ataques do governador

Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP | Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - Em evento realizado em São Paulo nesta quinta-feira (7), o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo paulista, afirmou que o estado estaria em situação fiscal mais difícil caso não houvesse apoio do governo federal na renegociação de dívidas. Haddad também avaliou o cenário estadual como preocupante e afirmou ter encontrado problemas estruturais desde que passou a se dedicar à disputa eleitoral, informa o jornal Folha de São Paulo.

Ao comentar declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é pré-candidato à reeleição e tem criticado a política econômica do governo federal, Haddad reagiu às falas do adversário político. “Ele [Tarcísio] não precisa agradecer, mas não precisa mentir. Fica quieto. Eu, no lugar dele, ficava quieto. Agora, mentir? Ganhou o que com isso?”, disse o ex-ministro.

Tarcísio afirmou nesta semana que Haddad teria “quebrado o Brasil”, declaração que intensificou o embate entre os dois. O ex-ministro também criticou a forma como parte da imprensa tem tratado a gestão paulista. Segundo ele, há falta de cobertura sobre as finanças do estado.

“Eu não vejo a imprensa dizer a verdade sobre o que está acontecendo, com a contundência com que tratam os assuntos que nos dizem respeito. Não tem uma matéria sobre as finanças do estado de São Paulo”, afirmou.

Em outro momento, o ex-ministro criticou editoriais do jornal Folha de S.Paulo. “Eu estava falando com uma pessoa que, só da Folha, teve 150 editoriais contados. Eu sempre acho graça. Porque, primeiro, ninguém lê. Segundo, é uma prova a meu favor.”

Decisão de disputar o governo paulista

Haddad afirmou ainda que resistiu inicialmente a disputar o governo de São Paulo, pois estava voltado a discussões de âmbito nacional. Segundo ele, a decisão foi influenciada por conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Eu não tinha expectativa de encontrar o quadro que encontrei. Encontrei muitos problemas que pensei que já tivessem sido endereçados”, disse, ao citar dificuldades nas áreas de segurança, educação e saúde.

Ele também afirmou que há insatisfação em diferentes setores do funcionalismo público estadual, incluindo policiais civis, militares e professores.

Economia e cenário nacional

No campo econômico, Haddad defendeu o equilíbrio fiscal e afirmou ser possível avançar em áreas estratégicas do país, como biocombustíveis, terras raras e energias renováveis.

“A política que vai dizer se vamos aproveitar essa janela de oportunidade ou se vamos praticar o esporte nacional predileto, que é perder as oportunidades que se abrem”, declarou.

O ex-ministro também demonstrou otimismo em relação ao futuro do país. Haddad reforçou ainda a defesa de responsabilidade fiscal. “Todo mundo vai ter que colaborar na medida de suas forças. O sacrifício maior não pode ser de quem ganha um salário mínimo.”

Flávio Bolsonaro e investigações

Em entrevista após o evento, Haddad afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, não é devidamente compreendido pela opinião pública e defendeu que sua trajetória seja investigada com transparência.

“As pessoas não têm ideia a respeito de quem é o senador Flávio Bolsonaro (PL). Espero que a campanha mostre como ele angariou esse patrimônio considerável que detém e quem são os amigos dele”, disse.

O ex-ministro também mencionou investigações relacionadas ao banco Master e defendeu maior transparência nas apurações conduzidas por órgãos de investigação.

Artigos Relacionados