Haddad sai em defesa de Jaques Wagner: 'atuou contra a Emenda Master'
Ex-ministro afirma que senador ajudou governo a barrar interesses do Banco Master no Senado
247 – Pré-candidato ao governo do estado de São Paulo, Fernando Haddad (PT-SP) fez nesta terça-feira (23) uma defesa enfática do senador Jaques Wagner (PT-BA) e afirmou que o parlamentar ajudou o governo a barrar interesses do Banco Master no Senado, em meio aos desdobramentos da operação da Polícia Federal (PF) que teve Wagner como um dos alvos. O relato do ex-ministro foi divulgado na coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Na entrevista, Haddad afirmou que pode confirmar a versão apresentada pela defesa do senador, que contesta a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, responsável por autorizar buscas em endereços ligados a Wagner na última quinta-feira (18)."Sou testemunha de que ele atuou contra o Banco Master e ajudou o governo a bloquear os interesses da instituição", afirmou Haddad à coluna. O petista acrescentou: "Posso depor onde ele quiser".
A manifestação representa a defesa mais contundente feita por um líder petista em favor de Wagner desde a operação. Na semana anterior, logo após a ação da PF, Haddad havia adotado tom mais cauteloso, dizendo apenas que torcia para que "a Justiça seja feita" e que lamentaria "se uma pessoa próxima a mim errou".
Jaques Wagner foi um dos 18 alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF na quinta-feira (18), em uma fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura irregularidades relacionadas ao Banco Master. A PF encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços de Wagner, valores que somam cerca de R$ 471 mil na cotação atual. O senador afirma que parte dos recursos vinha de diárias de viagens pagas pelo Senado, enquanto outra parte teria sido adquirida por meio de operações regulares.
O senador negou ter recebido vantagens indevidas do esquema do Banco Master. "Nunca recebi dinheiro do Banco Master", afirmou ele, em entrevista à BandNews TV.
Recurso ao STF questiona decisão de André Mendonça
Na segunda-feira (22), Jaques Wagner apresentou recurso ao ministro André Mendonça contra a decisão que autorizou a busca e apreensão em seus endereços. A defesa do senador sustenta que há "erros graves que comprometem a medida", especialmente na interpretação de que Wagner teria atuado no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master.
Os advogados afirmam que o senador, na realidade, se posicionou contra a chamada "Emenda Master", apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). A proposta buscava ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Haddad confirmou à coluna que Wagner teria agido no sentido oposto ao apontado na decisão. "Ele agiu contra o Master inclusive a meu pedido. Conversamos sobre essa emenda e eu expliquei a situação e a necessidade de votarmos contra. Ele entendeu, concordou e encaminhou a votação nesse sentido", declarou o ex-ministro, hoje pré-candidato ao governo de São Paulo.
Em outra fala, Haddad reforçou a defesa do senador. "Sou testemunha de que ele atuou contra o Master. Jaques Wagner bloqueou os interesses do banco no Senado, e não o contrário", afirmou.
Investigações da Compliance Zero
As apurações da PF também envolve questionamentos internos no PT sobre a relação de Wagner com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. De acordo com a PF, Lima teria comprado um apartamento que, na visão da investigação, seria na verdade do senador. A apuração também cita favores ao parlamentar, como empréstimo de jatos privados e compra de ingressos para um show nos Estados Unidos, no valor total de R$ 63 mil.
Wagner e Lima se conheceram na Bahia. A defesa do senador tenta reverter no STF os efeitos da decisão que autorizou as buscas, enquanto Haddad busca sustentar publicamente que Wagner atuou contra os interesses do Banco Master no Congresso.



