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Horizons 2026 abre em SP com debates sobre inovação e transição sustentável

Evento reúne especialistas para discutir ESG, agro e financiamento sustentável

Horizons 2026 reúne especialistas para discutir ESG, agro e financiamento sustentável (Foto: Horizons / Divulgação)

247 - O Horizons 2026 começou nesta quarta-feira (6), em São Paulo, reunindo representantes do mercado financeiro, startups, empresas, investidores e especialistas para discutir soluções ligadas à sustentabilidade e à transição econômica, com foco na chamada “inovabilidade”, conceito que une inovação e sustentabilidade.

O encontro busca fortalecer a conexão entre diferentes setores da economia em torno de propostas práticas para enfrentar desafios climáticos, ampliar investimentos sustentáveis e acelerar a adoção de tecnologias voltadas ao desenvolvimento econômico de baixo carbono.

Ao longo do primeiro dia, a programação abordou temas como segurança alimentar global, gestão de recursos naturais, segurança hídrica, transição climática e financiamento de projetos sustentáveis. O foco do evento é ampliar as discussões sobre ESG com atenção a soluções de longo prazo e impacto econômico concreto.

“Horizons nasceu para aproximar empresas, startups, investidores e governos em torno de soluções para a transição climática e econômica. Queremos criar um espaço de troca qualificada, mas também de ação”, afirmou Mônica Kruglianskas, responsável pela curadoria e organização do encontro.

Crédito sustentável ganha espaço no sistema financeiro

Um dos principais painéis do dia reuniu representantes do setor bancário para discutir os desafios do financiamento sustentável e o papel das instituições financeiras na agenda ESG.

O debate foi mediado pelo professor da FIA Rodrigo Sluminsky e contou com a participação de Cintia Cespedes, da Febraban; Debora Marinovic, do Santander; Marcos Lima, do Banco BV; e Guilherme Rinco, do Bradesco.

Durante a discussão, Cintia Cespedes destacou o avanço do crédito sustentável no Brasil nos últimos anos. De acordo com dados apresentados pela Febraban, o volume desse tipo de financiamento saiu de R$ 1,7 bilhão em 2015 para R$ 87 bilhões em 2025, após atingir picos de R$ 116 bilhões em 2024.

Os participantes avaliaram que o crescimento demonstra a consolidação da agenda ESG no país e reforça a posição do Brasil como uma das principais referências latino-americanas em financiamento sustentável.

Apesar da expansão do setor, os executivos ponderam que projetos sustentáveis não recebem automaticamente taxas de juros menores. Segundo eles, o mercado ainda depende da combinação de diferentes mecanismos financeiros para reduzir riscos e viabilizar operações de longo prazo.

Entre os modelos citados estão instrumentos de blended finance, que unem recursos públicos e privados, além do uso de garantias e capital catalítico para ampliar a atratividade dos investimentos.

O programa Eco Invest, desenvolvido pelo governo federal em parceria com o BNDES, foi apontado como exemplo de iniciativa capaz de estimular projetos ligados à transição energética e tecnologias climáticas, incluindo empreendimentos voltados ao hidrogênio verde.

Agronegócio e mudanças climáticas entram no debate

A programação também abriu espaço para discussões sobre os impactos das mudanças climáticas no agronegócio brasileiro e os desafios para tornar o setor mais resiliente. O painel foi mediado por Danilo Maeda, da Beon, e reuniu Orlando Nastri, da Citrosuco/Votorantim; Priscila Veras, da Muda Meu Mundo; e Roberto Waack, do Instituto Arapyau.

Durante o debate, os participantes defenderam a integração entre sustentabilidade, inovação, governança e inclusão social como estratégia para fortalecer o agro nacional diante das transformações climáticas.

Orlando Nastri destacou o potencial econômico da reutilização de resíduos industriais e reforçou o conceito de “inovabilidade” como caminho para geração de valor no longo prazo.

Como exemplo, ele citou o reaproveitamento do bagaço da laranja, que pode ser transformado em insumos de valor agregado significativamente superior ao da produção tradicional de suco.

Priscila Veras chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por pequenos produtores rurais, especialmente em relação ao acesso ao crédito, à assistência técnica e à tecnologia. Segundo ela, a transição sustentável do agronegócio brasileiro precisa incluir também medidas de inclusão financeira e social para evitar desigualdades no setor.

Já Roberto Waack afirmou que a inércia representa um dos maiores riscos para empresas diante do atual cenário de incertezas climáticas e econômicas. Para ele, lideranças empresariais precisam agir rapidamente e trabalhar com planejamento baseado em diferentes cenários.

Horizons terá debates sobre IA e transição energética

A programação do Horizons 2026 continua nesta quinta-feira (7), com novos debates sobre inovação, sustentabilidade e transformação econômica. Entre os destaques do segundo dia está a participação de Dex Hunter-Torricke, ex-chefe de comunicação da SpaceX, primeiro líder de comunicação executiva do Facebook e responsável por discursos executivos do Google.

O executivo participará do painel “IA, Poder e o Novo Contexto dos Negócios”, marcando sua primeira palestra no Brasil.

O último dia do evento também contará com discussões sobre intraempreendedorismo, transição energética justa e novos modelos de cooperação entre empresas, governos, investidores e sociedade civil, consolidando o Horizons como um espaço voltado à construção de soluções para a economia do futuro.

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