Indefinição do palanque em Minas preocupa aliados de Pacheco
Destino de Pacheco segue indefinido, enquanto janela partidária se aproxima do fim
247 - Aliados do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) demonstram preocupação com a indefinição sobre o partido pelo qual ele disputará o governo de Minas Gerais nas próximas eleições. O cenário de incerteza ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convencê-lo a entrar na corrida eleitoral, mas sem que, até o momento, haja uma solução clara para o impasse partidário, relata a Folha de São Paulo.
O senador permanece em compasso de espera enquanto negociações avançam nos bastidores. A situação tem gerado apreensão entre aliados, principalmente porque a janela partidária — período em que parlamentares podem trocar de legenda sem perder o mandato — se encerra em pouco mais de 20 dias. No PSD, atual partido de Pacheco, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, também deve disputar o governo estadual, o que dificulta a permanência do senador na sigla.
Nos bastidores, Lula e Pacheco têm mantido conversas frequentes para tentar destravar o cenário político. Os dois se reuniram reservadamente nos últimos dias para tratar da estratégia eleitoral em Minas Gerais, estado considerado estratégico para a disputa presidencial.
Apesar das tratativas, aliados avaliam que a definição ainda não avançou como esperado. De acordo com interlocutores, a sucessão de crises enfrentadas pelo governo federal nos últimos meses teria dificultado o avanço das negociações para a montagem do palanque estadual.
Enquanto o impasse persiste, integrantes do grupo político de Pacheco avaliam que o campo bolsonarista tem ocupado espaço sozinho no estado. Um aliado do senador, ouvido sob reserva, afirmou que o presidente Lula poderia estar mais envolvido nas articulações diante da relevância de Minas Gerais no cenário eleitoral nacional.
Há cerca de um mês, Lula convenceu Pacheco a disputar o governo mineiro e, segundo relatos de aliados, teria garantido que se dedicaria pessoalmente a resolver a situação partidária do senador. Desde então, no entanto, o quadro permanece sem mudanças concretas.
Entre as alternativas em discussão está a filiação ao União Brasil ou ao MDB. Interlocutores de Pacheco avaliam que, neste momento, o União Brasil aparece como a opção mais viável. Para que a mudança se concretize, no entanto, o senador busca garantias de que a legenda adotará posição de neutralidade na eleição presidencial.
A definição depende da direção nacional do partido e pode avançar após uma eventual conversa entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que exerce influência dentro da sigla. Até lá, aliados de Pacheco seguem atentos ao calendário eleitoral e pressionam por uma decisão rápida diante do prazo cada vez mais curto da janela partidária.


