Justiça impõe penas a policiais por extorsão ligada ao PCC
Segundo o MP-SP, os réus praticaram extorsões e se apropriaram de armas e entorpecentes de traficantes vinculados à facção criminosa
247 - A Justiça condenou quatro policiais civis e dois policiais militares pelo crime de organização criminosa armada, com participação de agentes públicos. As penas, fixadas em regime fechado, variam de oito anos e nove meses a nove anos de prisão.
Segundo o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), os réus praticaram extorsões e se apropriaram de armas e entorpecentes de traficantes vinculados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Os crimes ocorreram entre 2021 e 2022 nas cidades de Mogi das Cruzes e Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, além da zona leste da capital paulista.
Sentença foi proferida em Suzano
A decisão foi anunciada na última sexta-feira (20) pelo juiz Rodrigo Lírio Araújo, da 2ª Vara Criminal de Suzano. A sentença condenatória possui 126 páginas e detalha a atuação do grupo, que, de acordo com o MP-SP, utilizava a condição de agentes públicos para cometer os delitos.
Entre os condenados está Eduardo Peretti Guimarães, de 56 anos. Conforme a acusação, ele extorquiu um homem em Mogi das Cruzes em três ocasiões — exigindo R$ 20 mil, R$ 5 mil e R$ 7,5 mil em janeiro e dezembro de 2021 — e manteve, no mesmo período, um depósito com grande quantidade de cocaína em Suzano. A pena aplicada foi de nove anos de prisão em regime fechado.
Acusações envolvem extorsão e desvio de drogas
Também condenado, Wilson Isidoro Júnior, de 56 anos, conhecido como Ninho, foi apontado pelo MP-SP como responsável por desviar drogas de traficantes em Suzano em março de 2021 e por subtrair R$ 7 mil de um traficante da zona leste da capital em fevereiro deste ano. Ele recebeu pena de oito anos e nove meses em regime fechado.
Ronaldo Batalha de Oliveira, de 40 anos, chamado de Nardo, foi citado diversas vezes nas denúncias, o que, segundo o Ministério Público, demonstra sua relevância na estrutura do grupo criminoso. A pena fixada também foi de oito anos e nove meses em regime fechado.
Diego Bandeira Lima, de 45 anos, conhecido como Carioca, foi acusado de roubar drogas e exigir dinheiro de um traficante na cidade de São Paulo em junho de 2022, além de tentar vender entorpecentes em Suzano em junho de 2021. Ele também foi condenado a oito anos e nove meses de prisão em regime fechado.
Penas variam entre oito e nove anos
De acordo com a decisão judicial, os crimes foram praticados com uso da função pública, o que agravou as condutas atribuídas aos réus. O caso evidencia a atuação de agentes estatais integrando organização criminosa armada, conforme reconhecido na sentença.
A condenação reforça a responsabilização penal de servidores públicos envolvidos em atividades ilícitas e marca mais um desdobramento de investigações conduzidas pelo Ministério Público paulista na Região Metropolitana de São Paulo.


