Kalil se aproxima de Aécio em Minas e "solução caseira" ganha força no PT
Ex-prefeito de BH evita garantir palanque a Lula, negocia com PSDB e amplia pressão por candidatura própria petista em Minas
247 - Alexandre Kalil (PDT), pré-candidato ao governo de Minas Gerais, evitou garantir apoio imediato ao presidente Lula (PT) em 2026 e mantém abertas negociações com partidos como o União Brasil e o PSDB de Aécio Neves, movimento que aumenta a pressão dentro do PT por uma candidatura própria no estado, a chamada “solução caseira”, segundo Igor Gadelha, do Metrópoles.
A resistência de Kalil foi manifestada durante uma conversa com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, no último sábado (30). O encontro tratou dos caminhos possíveis para a sucessão estadual mineira e da necessidade de Lula contar com uma base forte no segundo maior colégio eleitoral do país.
Kalil evitou cravar apoio a Lula, mas também não descartou essa possibilidade. O ex-prefeito afirmou que segue dialogando com diferentes partidos, entre eles o União Brasil do atual prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, e o PSDB de Aécio Neves. “Nós conversamos e tomamos um bom vinho. Estamos conversando, assim como estou conversando com outros partidos. (…) Nós falamos sobre conjuntura, campanha…não está descartada nenhuma possibilidade. Esse mês nós vamos resolver”, disse Kalil.
A possível aliança entre Kalil e o PSDB de Aécio é vista como um complicador para os planos do PT. Caso os tucanos apoiem o ex-prefeito na disputa pelo governo mineiro, a hipótese de Kalil servir como palanque para Lula ficaria praticamente inviabilizada.
O PT passou a procurar Kalil depois que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) recusou o convite do presidente Lula para disputar o governo de Minas nas eleições de outubro. A decisão de Pacheco obrigou a direção petista a ampliar as alternativas para tentar garantir uma candidatura competitiva no estado.
Minas Gerais é considerado um ponto estratégico para a eleição presidencial. Além de ser o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, o estado costuma ter peso decisivo na disputa nacional, o que torna a construção de um palanque forte uma prioridade para Lula.
Sem Pacheco e diante da indefinição de Kalil, o PT voltou a avaliar uma candidatura própria no estado. A chamada “solução caseira” tem como principais nomes o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT).
Reginaldo Lopes é um dos autores da PEC que propõe o fim da escala 6×1. Setores do PT veem o deputado como uma alternativa capaz de oferecer um palanque mais seguro e alinhado ao presidente Lula em Minas Gerais. “Melhor um palanque confiável do que palanque nenhum”, afirmou uma liderança do PT mineiro, sob reserva.
Outra possibilidade citada nas articulações é o empresário Josué Gomes (PSB), filho do ex-vice-presidente José Alencar. Ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué também aparece no radar como eventual opção para fortalecer o palanque de Lula no estado.



