Letalidade policial no governo Tarcísio cresce pelo 3º ano consecutivo
Em 2025, foram 834 mortes decorrentes de ações policiais no estado de São Paulo
247 - A letalidade policial em São Paulo voltou a crescer em 2025 e atingiu o terceiro aumento consecutivo durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). 834 pessoas morreram em decorrência de ações de policiais civis e militares, em serviço ou de folga, ao longo de 2025. Segundo a Folha de São Paulo, dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam que o número representa 21 mortes a mais do que no ano anterior, que já havia sido marcado por operações de alta letalidade, como a Operação Verão, na Baixada Santista.
O último trimestre de 2025 registrou o maior número de mortes provocadas por policiais desde o início da série histórica, em 2015, quando o estado passou a adotar a metodologia atual de contabilização da letalidade policial. Com isso, Tarcísio de Freitas encerrou seu terceiro ano de mandato com alta consecutiva nesse indicador, mesmo sem a realização de grandes operações nos moldes das ações Escudo e Verão.
Capital paulista registra aumento de homicídios e feminicídios
A cidade de São Paulo contrariou a tendência estadual e registrou aumento nos homicídios em 2025. Foram contabilizados 530 casos no município, alta de 6,4% em relação ao ano anterior, interrompendo uma sequência de quatro anos de queda nos índices.
Os feminicídios também atingiram recordes. No estado, foram 270 vítimas, crescimento de 6,7% em comparação com 2024. Na capital paulista, houve 60 registros, aumento de 22,4%, o maior da série histórica iniciada em 2018.
O índice de mortes violentas intencionais, que inclui homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e letalidade policial, seria ainda menor em São Paulo não fosse o crescimento das mortes provocadas por agentes de segurança.
Em 2024, o estado havia registrado 56 mortes durante a Operação Verão, considerada a ação mais letal da Polícia Militar paulista desde o Massacre do Carandiru. Em 2025, mesmo sem operações de grande porte, a letalidade seguiu em alta.
Homicídios dolosos têm queda, mas estrutura policial preocupa
Os homicídios dolosos apresentaram queda em São Paulo. Ao longo de 2025, foram registrados 2.527 assassinatos, o que corresponde a uma redução de 3,9% em relação a 2024. A taxa de homicídios dolosos chegou a 5,46 por 100 mil habitantes, o menor patamar da série histórica iniciada em 2001.
Esta foi a terceira redução consecutiva nos registros de assassinatos no estado. Após uma trajetória de melhora iniciada em 2013, São Paulo teve interrupções pontuais nos anos de 2020 e 2022. No cenário nacional, o Brasil mantém uma tendência de queda nos homicídios há nove anos, com taxa de 17,1 casos por 100 mil habitantes em 2024, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Para Leonardo Silva, pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a redução dos homicídios em São Paulo resulta de múltiplos fatores. Ele cita o domínio da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em determinados territórios e seus mecanismos de mediação de conflitos, além de políticas de prevenção e investigação.
Silva ressalta, no entanto, que é difícil mensurar o peso de cada elemento. "O fato é que, ao longo dos anos, a estrutura de polícia judiciária em São Paulo não melhorou. A Polícia Civil está cada vez mais sucateada, e isso impacta a capacidade de solucionar crimes, inclusive homicídio", afirmou. Segundo ele, trata-se de "um conjunto de fatores que compõem um ecossistema".
Estudos do Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, também apontam fatores demográficos como explicação para a queda da violência. O envelhecimento da população tende a reduzir os homicídios, uma vez que adolescentes e jovens adultos concentram a maior parte das vítimas.
Crimes patrimoniais apresentam queda, mas subnotificação persiste
Entre os crimes patrimoniais, os registros de roubo no estado caíram 16,7% em 2025, totalizando cerca de 161,3 mil ocorrências. Na capital, houve redução de 14,6%, com 16,8 mil casos a menos do que em 2024.
Os furtos e roubos de celulares também apresentaram queda de 5,9% no estado, com 254.416 registros ao longo do ano, ante 269.720 no período anterior. Já os furtos em geral aumentaram na cidade de São Paulo, que contabilizou cerca de 250 mil ocorrências, alta de 3,6%. No conjunto do estado, houve leve recuo de 1,1%, com aproximadamente 550 mil furtos.
Várias pesquisas, contudo, indicam que roubos e furtos são crimes com altos índices de subnotificação. Levantamento do Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que apenas seis em cada dez vítimas de roubo registram boletim de ocorrência.
Leonardo Silva afirmou que, apesar da queda, os números seguem elevados e refletem a adaptação da criminalidade a mudanças sociais, com crescimento de golpes digitais. Segundo ele, furtos e roubos de celulares continuam disseminados em toda a capital. "As pessoas que saem de casa às 4h30, 5h da manhã nos extremos da capital também são alvo de roubos, especialmente nos pontos de ônibus", disse.


