MPRJ aponta movimentação de R$ 13 milhões por Val Ceasa, que declarou patrimônio de R$ 1 milhão
Deputado estadual é suspeito de lavar dinheiro para a facção Terceiro Comando Puro desde 2016
247 - Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil aponta que o deputado estadual Val Ceasa (PRD) movimentou patrimônio estimado em pelo menos R$ 13 milhões, apesar de ter declarado cerca de R$ 1 milhão em bens nas eleições de 2022. As informações são do g1.
Segundo as apurações, Roosevelt Barreto Barcelos, nome de registro do parlamentar, é suspeito de lavar dinheiro para o Terceiro Comando Puro (TCP) e de atuar em benefício dos interesses da facção criminosa em bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro, especialmente na região de Irajá.
Os investigadores também apontam que o deputado teria participado de articulações para impedir a demolição de imóveis ligados ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como um dos principais líderes do TCP. Val Ceasa nega as acusações.
Patrimônio sob investigação
De acordo com o MPRJ e a Polícia Civil, o parlamentar acumulou uma série de bens e participações empresariais nos últimos anos. Entre os ativos identificados estão empresas ligadas ao comércio e ao cultivo de frutas e ao setor de abastecimento, com capital social somado de R$ 800 mil nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.
As investigações também apontam a existência de um imóvel rural com dimensão equivalente à de um campo de futebol, um galpão avaliado em R$ 3 milhões, um apartamento à beira-mar no Recreio dos Bandeirantes estimado em R$ 1,5 milhão e uma casa na Barra da Tijuca avaliada em R$ 5,5 milhões.
Diante dos indícios levantados, o Ministério Público solicitou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do deputado, além da obtenção de relatórios de inteligência financeira. Durante o cumprimento dos mandados de busca, agentes apreenderam R$ 166 mil em espécie na residência do parlamentar. Outros cerca de R$ 150 mil foram encontrados em endereços vinculados a ele.
Investigação remonta a 2016
As suspeitas envolvendo Val Ceasa não são recentes. Conforme as investigações, em 2016 a 27ª Delegacia de Polícia, em Vicente de Carvalho, já apurava indícios de extorsão contra comerciantes da Ceasa e possíveis práticas de lavagem de dinheiro relacionadas ao TCP.
Roosevelt Barreto Barcelos iniciou sua trajetória profissional no centro de abastecimento que deu origem ao seu nome político, tornando-se proprietário de diversos boxes no local.
Operação contra agentes públicos
A operação realizada nesta quinta-feira (18) teve como alvo agentes públicos suspeitos de manter vínculos com o TCP, considerada a segunda maior facção do tráfico de drogas do estado.
Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. As diligências ocorreram na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), na Ceasa e em outros endereços localizados na capital fluminense e no Espírito Santo.
Segundo a força-tarefa, Val Ceasa, o ex-vereador Ulisses Marins e um ex-assessor teriam atuado para evitar a derrubada de um complexo de luxo atribuído a Peixão. A operação de demolição chegou a ser adiada. Duas pessoas foram presas em flagrante durante a ação.
Resort de Peixão
As investigações indicam que agentes públicos utilizaram sua influência para tentar impedir a demolição de imóveis ligados ao traficante. Entre eles estava o chamado "Resort Green", construído em área de preservação ambiental em Parada de Lucas, dentro do Complexo de Israel, principal reduto do TCP.
O local possuía piscinas e um lago destinado à criação de carpas. De acordo com o Ministério Público, os investigados alegavam que os imóveis seriam utilizados para fins sociais, argumento que, segundo as apurações, não correspondia aos fatos identificados pela investigação.
Antes de chegar à Alerj, Val Ceasa afirmou que é alvo de perseguição política e declarou: "A população sabe quem é Val Ceasa, eu trabalho de domingo a domingo dando dignidade para a população".
Em nota, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro informou que acompanha a operação realizada pelo Ministério Público e declarou estar à disposição para colaborar com as investigações.
A Prefeitura do Rio informou que Ulisses de Almeida Marins não integra os quadros de servidores municipais e que sua nomeação publicada em novembro de 2025 foi posteriormente anulada após análise da Secretaria de Integridade.



