"Nem Jesus Cristo salva essa Enel", rebate Ricardo Nunes
Prefeito reage a fala do CEO global da concessionária sobre apagões, acusa deboche e incompetência, e cobra ação mais rápida do governo federal e da Aneel
247 – O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), voltou a atacar a Enel após declarações do CEO global da empresa, Flavio Cattaneo, sobre os apagões na capital paulista durante tempestades. Em resposta, Nunes ironizou e elevou o tom: “Nem Jesus Cristo salva essa Enel”.
A reação, noticiada pela revista IstoÉ, ocorre depois de Cattaneo ter afirmado, em um evento com investidores e analistas em Milão, na Itália, que as interrupções no fornecimento seriam inevitáveis em episódios de forte chuva e vento e que nem “Jesus Cristo” conseguiria evitar a falta de energia.
Declaração do CEO em Milão e a justificativa sobre arborização
Segundo o relato, Cattaneo argumentou que as falhas associadas a tempestades estariam ligadas à arborização urbana e que o problema não seria exclusivo da Enel. O executivo declarou que, se “esse tipo de arborização continuar”, apenas alguém como “Jesus Cristo” seria capaz de resolver, pois “não há como evitar apagões de outra forma”.
Nunes reagiu em tom irônico e classificou a fala do CEO como “muita cara de pau”. O prefeito também acusou a concessionária de mentir e de demonstrar um alto grau de incompetência, afirmando que a soma dessas falhas “chega a assustar”.
Prefeito contesta a versão que culpa árvores e cita dados
Para rebater o argumento de que as árvores seriam as principais responsáveis pelas interrupções, Nunes apresentou dados segundo os quais mais de 80% dos pontos que ficaram sem luz na cidade não registraram queda de árvores. A informação foi usada pelo prefeito para sustentar que a explicação baseada apenas na vegetação não dá conta do tamanho do problema enfrentado pelos paulistanos em episódios recentes.
Pressão pela saída da Enel e crítica ao contrato
O prefeito declarou que espera a saída da Enel como distribuidora de energia de São Paulo. “Se presta um mau serviço tem que sair do contrato. Espero que eles saiam do estado, já que além de São Paulo, eles atendem mais 23 cidades. Em vez de melhorar a qualidade do serviço, ficam querendo culpar árvores, o que mostra a falta de compromisso com a cidade”, concluiu.
Enel diz que não pretende vender concessão e defende investimentos
Do lado da empresa, Cattaneo afirmou que a Enel não pretende vender a concessão em São Paulo e defendeu o cumprimento do contrato. O texto também registra que, em 2025, a companhia anunciou investimentos de R$ 25 bilhões no Brasil.
A Enel afirmou que as declarações de Ricardo Nunes sobre o último evento climático “não correspondem à realidade” e disse que irá demonstrar isso. Segundo a empresa, mais de 90% das ocorrências de falta de energia teriam sido provocadas por causas ambientais.
“A Enel reforça que as declarações do prefeito Ricardo Nunes sobre o último evento climático não correspondem à realidade, como a companhia irá demonstrar. Mais de 90% dos casos de falta de luz foram decorrentes de causas ambientais, como a queda de árvores e galhos ou o contato da vegetação com a rede elétrica, devido ao impacto dos fortes ventos”.
Cobrança ao governo federal e menção a pedido de processo na Aneel
Nunes também cobrou uma atuação mais firme do governo federal, responsável pela concessão, regulação e fiscalização do serviço. Segundo ele, é necessária mais agilidade e cobrança por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica, embora tenha dito confiar na seriedade do órgão, ainda que demonstre preocupação com a lentidão dos processos.
A reportagem lembra que, no fim do ano passado, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, formalizou pedido à Aneel para abertura de processo administrativo que pode levar à rescisão do contrato da Enel em São Paulo.

