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O caso da lista de "meninas estupráveis": choque e indignação em colégio de elite de SP

Instituição particular afasta alunos após a circulação de um ranking misógino e violento que gerou revolta entre pais e estudantes

Procurado, o São Domingos confirmou que tomou ciência de "um conjunto de mensagens de caráter misógino" (Foto: Reprodução)

247 - A comunidade escolar de um dos colégios mais tradicionais da capital paulista, o colégio São Domingos, localizado no bairro de Perdizes, foi abalada nesta semana pela descoberta de uma lista de teor extremamente violento e misógino elaborada por estudantes. 

O documento, que circulou em grupos de mensagens, classificava alunas em um ranking de "meninas estupráveis", expondo nomes e incitando a violência sexual. O caso, que agora é alvo de investigação interna e acompanhamento das autoridades, levanta um debate urgente sobre a cultura do assédio e a segurança no ambiente educacional.

As informações que baseiam esta reportagem foram originalmente publicadas pelo portal UOL, que detalhou o conteúdo do material e a imediata reação das famílias das vítimas e da direção da unidade de ensino.

O documento começou a circular de forma restrita, mas rapidamente chegou ao conhecimento das coordenações pedagógicas e dos responsáveis. Nele, as adolescentes eram avaliadas sob critérios degradantes, em um comportamento que especialistas apontam como reflexo de uma masculinidade tóxica alimentada em fóruns digitais.

Em resposta oficial, a escola comunicou a suspensão imediata dos envolvidos identificados até o momento. A instituição reforçou que repudia qualquer forma de violência e que está prestando apoio psicológico às alunas citadas na lista. "A escola não tolera e nunca tolerará comportamentos que atentem contra a dignidade de qualquer membro da nossa comunidade. Medidas disciplinares rigorosas estão sendo aplicadas conforme o nosso regimento", declarou a direção em nota enviada aos responsáveis.

O episódio gerou uma onda de protestos internos. Alunas organizaram manifestações silenciosas nos corredores, utilizando cartazes que pediam respeito e o fim da cultura de assédio. O caso também reacendeu a discussão sobre a responsabilidade das instituições de ensino no monitoramento de grupos de WhatsApp e outras redes sociais onde o cyberbullying e crimes de ódio costumam germinar fora do alcance visual dos educadores.

Juridicamente, o caso pode ter desdobramentos. Advogados especialistas em direito digital e de família explicam que, embora os autores sejam menores de idade, eles e seus responsáveis podem responder por atos infracionais análogos aos crimes de injúria, difamação e até incitação ao crime. A polícia civil deve ser acionada para investigar a origem do arquivo e garantir que a integridade física e psicológica das jovens seja preservada, evitando que o conteúdo continue a ser compartilhado em outras plataformas.

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