"O PT respeita contratos", diz Haddad, ao ser questionado sobre o caso Sabesp
Pré-candidato ao governo de São Paulo critica a privatização da estatal, mas afirma que revisões de medidas da gestão Tarcísio teriam de respeitar a lei
247 – O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que os governos petistas respeitam contratos ao comentar a possibilidade de rever a privatização da Sabesp e outras iniciativas da gestão Tarcísio de Freitas, como concessões de linhas de metrô. Embora tenha deixado claro que discorda da venda da companhia de saneamento, Haddad ressaltou que uma eventual mudança de rumo não poderia ocorrer à margem da legalidade.
As declarações foram publicadas pelo jornal Estado de S. Paulo, em reportagem sobre o posicionamento do ex-ministro da Fazenda a respeito da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e de outras medidas adotadas pelo atual governo paulista. Ao tratar do tema, Haddad procurou combinar crítica política à agenda de privatizações com uma defesa da segurança jurídica.
Ao ser questionado sobre a hipótese de rever a privatização da Sabesp, o petista respondeu de forma enfática: “Os governos do PT respeitam contratos. Nos quatro governos do PT que começaram e terminaram o mandato, sempre respeitamos contrato porque entendemos que o desrespeito ao contrato acaba trazendo muito mais prejuízo do que ganhos para uma economia séria e respeitada como a do Brasil”.
A declaração busca marcar uma posição em duas frentes. De um lado, Haddad faz oposição à política de privatizações conduzida por Tarcísio de Freitas em São Paulo. De outro, procura afastar interpretações de que um eventual governo petista promoveria rompimentos automáticos ou decisões arbitrárias em relação a contratos já firmados.
Haddad reforça crítica à privatização da Sabesp
Apesar de defender o respeito aos contratos, Haddad foi claro ao afirmar que, se estivesse no comando do governo paulista, não teria privatizado a Sabesp. A declaração o posiciona contra uma das principais marcas da atual gestão estadual e recoloca no centro do debate eleitoral o papel do Estado na administração de serviços públicos essenciais.
A Sabesp é uma empresa estratégica para o abastecimento de água e o saneamento em São Paulo. Por isso, sua privatização se transformou em um dos temas mais sensíveis da política paulista. Ao se dizer contrário à venda da estatal, Haddad reforça a crítica do PT ao avanço da lógica privatista sobre áreas consideradas fundamentais para a população.
Ainda assim, o ex-ministro procurou demonstrar cautela ao abordar a possibilidade de rever decisões já implementadas. Em vez de sugerir uma reversão imediata, ele indicou que qualquer análise precisaria observar a legislação e os desdobramentos jurídicos produzidos pelos atos do governo anterior.
Revisão teria de seguir a forma da lei
Ao comentar como governos petistas lidam com decisões herdadas de administrações passadas, Haddad afirmou que é preciso reconhecer os efeitos jurídicos já constituídos. Segundo ele, o caminho não é o voluntarismo político, mas a análise concreta dos contratos dentro dos instrumentos legais disponíveis.
Foi nesse contexto que declarou: “Obviamente que a gente se debruça sobre os contratos na forma da lei para verificar.”
A fala sinaliza que um eventual governo sob seu comando poderia examinar detalhadamente os contratos relacionados à privatização da Sabesp e a outras concessões, mas sempre dentro dos limites previstos no ordenamento jurídico. O objetivo, segundo a lógica apresentada por Haddad, seria corrigir eventuais problemas sem comprometer a segurança institucional.
Essa posição também funciona como resposta ao discurso de adversários que costumam associar o PT a instabilidade regulatória. Ao enfatizar o respeito aos contratos, Haddad tenta transmitir previsibilidade administrativa, ao mesmo tempo em que mantém sua crítica ao programa de desestatizações.
Reestatização é tratada como medida complexa
Em outro momento, ao ser perguntado sobre a reestatização da BR Distribuidora, Haddad adotou tom semelhante. Ele afirmou que reestatizar uma empresa é sempre uma “operação complexa” e acrescentou que “tem que ver se compensa”.
A observação revela prudência diante de um tema que costuma mobilizar setores políticos e econômicos. Em vez de defender respostas fáceis, Haddad indicou que qualquer decisão dessa natureza exige análise de viabilidade, custos e efeitos práticos. A sinalização é a de que divergência ideológica em relação a privatizações não elimina a necessidade de avaliar o interesse público de forma objetiva.
No caso paulista, essa linha de raciocínio sugere que a disputa em torno da Sabesp não será apenas simbólica, mas também jurídica, administrativa e econômica. Haddad deixa claro que sua posição é contrária à privatização, mas evita transformar essa crítica em promessa simplista de reversão automática.
Sabesp deve seguir no centro do debate eleitoral
A fala do pré-candidato evidencia que a Sabesp continuará no centro da disputa pelo governo de São Paulo. A empresa se tornou um símbolo do choque entre dois projetos distintos: de um lado, a defesa da privatização e da ampliação das concessões; de outro, a crítica à entrega de ativos públicos estratégicos ao setor privado.
Ao afirmar que não teria privatizado a companhia, Haddad reforça sua oposição ao modelo adotado por Tarcísio de Freitas. Ao mesmo tempo, ao dizer que o PT respeita contratos, procura demonstrar compromisso com a legalidade e com a estabilidade institucional.
Esse equilíbrio entre crítica política e responsabilidade jurídica é parte da estratégia do petista para disputar o eleitorado paulista em um terreno sensível. A Sabesp, mais do que uma empresa, se converte em emblema de um debate mais amplo sobre patrimônio público, soberania do Estado e limites da mercantilização de serviços essenciais.


