Operação mira infiltrados do PCC em órgãos de São Paulo
Ação do Gaeco apura vazamento de dados, extorsão e plano contra promotor em Campinas
247 - O Ministério Público de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (9) a Operação Infiltrados, para cumprir mandados contra suspeitos de atuar como infiltrados do PCC em órgãos públicos de São Paulo, incluindo a Polícia Civil, a Polícia Penal e o próprio MP estadual. A ação, conduzida pelo Gaeco, investiga vazamento de informações sigilosas, extorsão de investigados e um plano para matar um promotor em Campinas, no interior paulista, informa o G1.
Foram expedidos três mandados de prisão temporária contra um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo, que hoje atua como advogado, um chefe de investigadores da Polícia Civil e um ex-policial civil. A operação também cumpriu dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista, incluindo alvos ligados à Polícia Penal.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam relação com uma organização criminosa ligada ao PCC e atuariam em duas frentes principais. Uma delas envolve o suposto repasse de informações privilegiadas a criminosos. A outra trata de um esquema de extorsão contra investigados de alto poder econômico.
A operação mobilizou as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, além do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia. A Comissão de Prerrogativas da OAB também acompanhou a ação em razão do cumprimento de buscas em escritório de advocacia.
O chefe de investigadores preso trabalhava na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes de Campinas na época de duas operações anteriores que apuravam, de um lado, um plano de atentado contra um promotor do Gaeco e, de outro, um esquema de lavagem de dinheiro associado a traficantes investigados.
A Operação Infiltrados é um desdobramento de duas ações deflagradas em 2025. A primeira, chamada Operação Pronta Resposta, foi realizada em agosto e investigou uma organização criminosa ligada ao PCC que, entre outros crimes, estaria planejando um atentado contra o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco.
A segunda, a Operação Off White, foi deflagrada em 30 de outubro de 2025 com o objetivo de desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois traficantes apontados como alguns dos mais procurados do país. Entre eles estava Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como Mijão ou Xixi, citado nas investigações como um dos principais chefes do PCC em liberdade.
Nos últimos meses, o Gaeco reuniu elementos indicando que, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, um dos principais acusados de executar o plano contra o promotor teria se encontrado com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas.
No material apreendido, os investigadores localizaram vídeos que mostram o encontro entre os investigados às vésperas da operação que, segundo o Ministério Público, frustrou o suposto atentado contra o integrante do Gaeco.
A apuração busca esclarecer quais informações privilegiadas e sensíveis teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia. Esse é um dos pontos centrais da investigação sobre a possível infiltração de agentes em estruturas públicas de segurança e Justiça.
Em outra frente, também derivada das operações Pronta Resposta e Off White, o Gaeco identificou indícios de que um dos principais membros da organização criminosa estaria sendo vítima de extorsão. O crime teria sido praticado por um agente que se valia de dados sigilosos.
Com o aprofundamento das investigações, o Ministério Público apontou que o responsável direto pela extorsão seria um então estagiário do próprio MP. De acordo com a apuração, ele teria se infiltrado deliberadamente em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas com finalidade criminosa.
Ainda segundo os investigadores, o ex-estagiário teria usado bancos de dados e sistemas de pesquisa para identificar criminosos de alto poder econômico. A suspeita é que ele cobrasse dinheiro em troca de uma suposta proteção nas investigações.
O Gaeco também apura a participação de outros agentes públicos no esquema. Entre eles estariam um policial penal e o ex-policial civil que foram alvos da operação. O ex-policial civil, conforme a investigação, já havia sido expulso da corporação anos antes por extorsão mediante sequestro.
Os investigadores também reuniram elementos que indicam que os atos de extorsão teriam sido praticados pela internet a partir de um escritório de advocacia. A pessoa responsável pelas mensagens dizia estar em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, mas o Gaeco apurou que se tratava de um advogado que, à época, trabalhava em uma Promotoria Criminal do MP de Campinas.
De acordo com a investigação, esse advogado acessava processos ligados à organização criminosa e a outros possíveis alvos de extorsão. O ex-estagiário deixou a Promotoria semanas após as operações envolvendo um alvo identificado como “Dragão” e passou a trabalhar em um escritório de advocacia na região de Campinas, também alvo de buscas na Operação Infiltrados.
Ainda não há confirmação sobre eventual pagamento feito por investigados em troca das informações oferecidas. A operação desta terça-feira teve como objetivo ampliar a coleta de provas e reunir novos elementos sobre a suspeita de infiltração, o suposto vazamento de dados sensíveis e o esquema de extorsão em apuração.



