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PF cita evento em Nova York para apontar proximidade entre Magro e Cláudio Castro

Evento patrocinado pela Refit nos EUA é usado pela PF para reforçar suspeita de ligação entre empresário e núcleo da gestão do bolsonarista Cláudio Castro

Cláudio Castro - Ricardo Magro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil - Michelle Cadari/Divulgação)
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247 - A Polícia Federal (PF) citou um evento realizado em Nova York, nos Estados Unidos, para apontar uma relação próxima entre Ricardo Andrade Magro, dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, e integrantes do governo do Rio de Janeiro, incluindo o então governador Cláudio Castro. Segundo o SBT News, a informação consta na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que autorizou a Operação Sem Refino nesta sexta-feira (15).

A PF afirma que Cláudio Castro e Ricardo Magro participaram da mesma mesa em uma celebração patrocinada pela própria refinaria. Também estavam presentes Tiago Cedraz, advogado da Refit e filho do ex-ministro do Tribunal de Contas da União Aroldo Cedraz, além de Daniel Maia, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e concunhado de Tiago.

A investigação menciona o encontro em Nova York ao detalhar a atuação de Juliano Pasqual, ex-secretário de Fazenda do Rio de Janeiro e um dos alvos da Operação Sem Refino. De acordo com a PF, Pasqual trabalhou anteriormente como assessor parlamentar de Aroldo Cedraz durante o período em que ele exercia mandato de deputado federal.

Nomeado por Cláudio Castro para comandar a Secretaria de Fazenda em 31 de janeiro de 2025, Pasqual teria sido escolhido, segundo a corporação, não apenas por critérios técnicos, mas por um "alinhamento de interesses" com o grupo ligado a Ricardo Magro.

A PF sustenta ainda que o ex-secretário teria atuado para transformar a Secretaria de Fazenda em "uma extensão da estrutura empresarial do Grupo Refit, dando ensejo a atos que visavam a facilitação de sua operação e, ao mesmo tempo, repelir a aproximação de seus concorrentes no mercado fluminense".

Na decisão, a Polícia Federal afirmou: "Deste modo, a contradição das atitudes de Cláudio Castro se torna latente: ao mesmo tempo em que participava de reuniões supostamente destinadas ao combate ao crime organizado, o então mandatário participava de evento patrocinado pela Refit e se reunia com o líder de uma organização criminosa voltada à dilapidação do erário fluminense".

Entenda a investigação

A investigação da PF apura um suposto esquema de fraudes fiscais e ocultação patrimonial envolvendo a Refit, Cláudio Castro e Ricardo Magro. Segundo a corporação, a refinaria é suspeita de "utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior".

Os investigadores afirmam que Cláudio Castro teria atuado como braço político do esquema, viabilizando medidas favoráveis à atuação da Refit no estado por meio da publicação de leis e nomeações de secretários alinhados ao grupo.

O ex-governador foi alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação desta sexta-feira (15). Já Ricardo Magro é alvo de mandado de prisão e segue foragido. A PF suspeita que o empresário esteja na Espanha. Segundo a investigação, ele viveu nos Estados Unidos nos últimos anos e se mudou para Portugal no fim de 2025.

Ao todo, a Operação Sem Refino cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.

A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

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