PF liga MC Ryan SP a esquema internacional de lavagem de dinheiro
Investigação indica movimentação de R$ 1,6 bilhão em lavagem de dinheiro com uso de empresas, criptomoedas e “laranjas” em rede internacional
247 - A Polícia Federal identificou o cantor e influenciador MC Ryan SP como principal articulador de um esquema internacional de lavagem de dinheiro que teria movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão em dois anos. A investigação aponta que o artista atuava como líder e beneficiário econômico da estrutura criminosa, segundo apuração divulgada nesta quarta-feira (15). As informações foram publicadas pelo jornal O Globo, que detalhou a operação conduzida pela PF e os desdobramentos das ordens judiciais expedidas pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), responsáveis por uma série de prisões e buscas em diferentes estados. Quase 40 pessoas foram presas, entre elas o próprio funkeiro e MC Poze do Rodo.
Segundo investigadores, empresas ligadas ao setor de entretenimento e à produção musical desempenhavam papel central na estratégia do grupo. Essas companhias misturavam receitas legais com valores provenientes de apostas ilegais, tráfico de drogas e rifas digitais, por meio da chamada “instrumentalização de pessoas físicas”.
A apuração também indica que MC Ryan SP estruturou mecanismos para proteger o patrimônio e dificultar a identificação da origem dos recursos. O cantor teria transferido participações societárias para familiares e terceiros, além de utilizar operadores financeiros para afastar o capital ilícito de sua titularidade direta antes de reinseri-lo na economia formal.
Segundo a investigação, os recursos eram aplicados na compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor. Para ampliar a complexidade do esquema e dificultar o rastreamento, o grupo realizava centenas de transferências fracionadas, utilizava contas de terceiros e empresas de fachada, além de recorrer a processadoras de pagamento.
No exterior, a organização operava com ativos digitais, com destaque para a criptomoeda USDT (Tether), usada para transferências internacionais e ocultação de patrimônio.
Defesas citam falta de acesso aos autos
A defesa de MC Ryan SP informou que ainda não teve acesso ao processo, que tramita sob sigilo. Em nota, declarou que está “impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos”.
Os advogados do funkeiro MC Poze do Rodo também afirmaram desconhecer o conteúdo do mandado de prisão. Segundo a defesa, “desconhece os autos ou teor do mandado de prisão”, e que, “com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário”.
Prisões e alvos da operação
A operação resultou no cumprimento de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. Até o momento, agentes prenderam 37 pessoas. Entre os investigados estão nomes conhecidos do cenário musical e digital.
Além de MC Ryan SP, a lista inclui MC Poze do Rodo, que foi preso, e influenciadores como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que reúne milhões de seguidores nas redes sociais. Outros produtores de conteúdo também foram alvo das medidas judiciais.
As investigações seguem em andamento e buscam aprofundar o papel de cada envolvido na estrutura financeira apontada pela Polícia Federal.


