PF pede prisão preventiva de MC Ryan e Poze após ordem de soltura
Polícia Federal aponta risco de continuidade de crimes e interferência nas investigações
247 - A Polícia Federal solicitou a conversão das prisões temporárias em preventivas de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, após identificar indícios robustos de atuação em um esquema que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão em atividades ilegais, incluindo apostas clandestinas, lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas. O pedido ocorre após análise de provas como documentos financeiros, dispositivos eletrônicos e registros apreendidos ao longo da Operação Narco Fluxo.
Segundo a Polícia Federal, a medida é considerada necessária diante da gravidade dos fatos e do volume de recursos envolvidos. Os investigadores apontam risco de continuidade das atividades criminosas e possibilidade de interferência nas apurações, seja por destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.
A defesa de MC Ryan SP reagiu ao pedido, afirmando em rede social que "causa perplexidade o caráter manifestamente extemporâneo do pedido". Os advogados também questionaram o momento da solicitação: "Se presentes estivessem, desde antes, os requisitos da preventiva, por que não foi ela requerida no momento oportuno? Espera a defesa que a medida seja indeferida e a decisão do Superior Tribunal de Justiça efetivamente cumprida".
Investigação começou com dados de nuvem
A Operação Narco Fluxo teve origem em investigações anteriores, como a Narco Bet e a Narco Vela, realizadas em 2025. O ponto central da apuração foi a análise de arquivos armazenados no iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado, identificado como operador financeiro do grupo.
De acordo com a decisão judicial, o conteúdo encontrado na nuvem permitiu à PF cruzar informações como extratos bancários, contratos, registros societários e conversas, revelando uma estrutura organizada para movimentação e ocultação de recursos ilícitos.
Papel dos investigados no esquema
As investigações apontam MC Ryan SP como líder e principal beneficiário econômico da organização. Segundo a PF, ele utilizaria empresas ligadas ao entretenimento para misturar receitas legais com recursos provenientes de apostas ilegais e rifas clandestinas.
O cantor teria adotado estratégias de blindagem patrimonial, transferindo bens para terceiros e utilizando operadores financeiros para dificultar o rastreamento do dinheiro. Os valores seriam posteriormente reinseridos na economia formal, com investimentos em imóveis, veículos de luxo e joias.
Já MC Poze do Rodo aparece vinculado a empresas e estruturas financeiras relacionadas à circulação desses recursos. A investigação indica que ele participava da engrenagem de movimentação e redistribuição de valores oriundos de atividades ilegais.
Estrutura e funcionamento do esquema
A Polícia Federal descreve uma organização com funções bem definidas, incluindo operadores financeiros, intermediários e pessoas utilizadas como “laranjas”. Entre os mecanismos utilizados estariam fracionamento de depósitos, uso de empresas de fachada, criptomoedas e evasão de divisas.
Segundo a PF, o grupo operava com características semelhantes às de uma instituição financeira clandestina, com sistemas próprios de controle e compensação de valores.
Atuação de influenciadores
A investigação também aponta o uso de influenciadores digitais e páginas de grande alcance para promover plataformas de apostas e rifas, além de melhorar a imagem pública dos envolvidos. Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, é citado como responsável pela divulgação de conteúdos favoráveis e gestão de crises de reputação.
Apreensões e bloqueios
Durante a operação, foram apreendidos carros de luxo, joias, relógios, armas, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 1,63 bilhão, incluindo criptomoedas em diferentes corretoras.
Posicionamento das defesas
A defesa de MC Ryan SP afirmou que ainda não teve acesso completo aos autos, que tramitam sob sigilo, mas sustenta que todas as transações do artista são lícitas e possuem origem comprovada.
Já a defesa de MC Poze do Rodo informou desconhecer o teor do mandado de prisão e declarou que irá se manifestar após acesso ao processo.


