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PF prende policiais suspeitos de usar delegacia para extorquir traficantes no Rio

Operação Anomalia cumpre mandados contra policiais civis acusados de pressionar integrantes do Comando Vermelho para pagamento de propinas

Sede da Secretaria de Estado de Polícia Civil no RJ (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

247 - A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (10), uma nova fase da Operação Anomalia com o objetivo de desarticular um grupo criminoso formado por policiais civis suspeitos de utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro. A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na capital fluminense. 

Segundo a Polícia Federal, cerca de 40 agentes participam da operação, que foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além das prisões e das buscas, a decisão judicial determinou o afastamento imediato dos investigados de suas funções públicas, a suspensão de atividades empresariais vinculadas aos suspeitos e o bloqueio de valores mantidos em contas bancárias e em criptoativos relacionados ao esquema.

As investigações indicam que policiais civis utilizavam a própria estrutura de uma delegacia na capital do Rio de Janeiro para intimidar membros do Comando Vermelho e exigir pagamentos em troca da omissão de atos funcionais. De acordo com os investigadores, o esquema seria liderado por um delegado titular de uma unidade policial e por outro agente da corporação.

Conforme apurado pela Polícia Federal, os investigados passaram a emitir intimações direcionadas a lideranças da organização criminosa com o objetivo de pressionar os alvos e exigir o pagamento de propina. As cobranças eram feitas de forma reiterada e acompanhadas da fixação de prazos para a quitação dos valores exigidos.

Para evitar contato direto com os traficantes, os policiais suspeitos teriam recorrido a dois intermediários encarregados de operacionalizar o recebimento das quantias ilegais. A estratégia, segundo as investigações, buscava manter distância entre os servidores públicos e os integrantes da organização criminosa.

A apuração também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelos policiais investigados. A análise de inteligência financeira apontou a existência de patrimônio milionário que, segundo a PF, teria sido ocultado por meio de empresas de fachada registradas em nome de familiares.

Por determinação judicial, essas empresas tiveram suas atividades suspensas. Os investigados poderão responder, de acordo com o grau de participação no esquema, por crimes como organização criminosa, extorsão, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

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