PF prende policiais suspeitos de usar delegacia para extorquir traficantes no Rio
Operação Anomalia cumpre mandados contra policiais civis acusados de pressionar integrantes do Comando Vermelho para pagamento de propinas
247 - A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (10), uma nova fase da Operação Anomalia com o objetivo de desarticular um grupo criminoso formado por policiais civis suspeitos de utilizar a estrutura do Estado para extorquir integrantes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro. A ação resultou no cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na capital fluminense.
Segundo a Polícia Federal, cerca de 40 agentes participam da operação, que foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além das prisões e das buscas, a decisão judicial determinou o afastamento imediato dos investigados de suas funções públicas, a suspensão de atividades empresariais vinculadas aos suspeitos e o bloqueio de valores mantidos em contas bancárias e em criptoativos relacionados ao esquema.
As investigações indicam que policiais civis utilizavam a própria estrutura de uma delegacia na capital do Rio de Janeiro para intimidar membros do Comando Vermelho e exigir pagamentos em troca da omissão de atos funcionais. De acordo com os investigadores, o esquema seria liderado por um delegado titular de uma unidade policial e por outro agente da corporação.
Conforme apurado pela Polícia Federal, os investigados passaram a emitir intimações direcionadas a lideranças da organização criminosa com o objetivo de pressionar os alvos e exigir o pagamento de propina. As cobranças eram feitas de forma reiterada e acompanhadas da fixação de prazos para a quitação dos valores exigidos.
Para evitar contato direto com os traficantes, os policiais suspeitos teriam recorrido a dois intermediários encarregados de operacionalizar o recebimento das quantias ilegais. A estratégia, segundo as investigações, buscava manter distância entre os servidores públicos e os integrantes da organização criminosa.
A apuração também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelos policiais investigados. A análise de inteligência financeira apontou a existência de patrimônio milionário que, segundo a PF, teria sido ocultado por meio de empresas de fachada registradas em nome de familiares.
Por determinação judicial, essas empresas tiveram suas atividades suspensas. Os investigados poderão responder, de acordo com o grau de participação no esquema, por crimes como organização criminosa, extorsão, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.


