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Pré-candidatura de Benedita da Silva ao Senado tem disputa por suplência

Indicação de Manoel Severino por Benedita é contestada por grupo de Quaquá no PT do Rio de Janeiro

Benedita da Silva (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

247 - A pré-candidatura de Benedita da Silva ao Senado pelo Rio de Janeiro enfrenta uma disputa interna no PT em torno da definição de suplentes, após a deputada indicar Manoel Severino para a vaga. O movimento gerou reação de lideranças do partido e ampliou a tensão entre correntes políticas no estado.

A informação sobre o embate interno foi divulgada após a apresentação de um ofício por Benedita aos diretórios estadual e nacional do PT. No documento, a parlamentar defende a indicação de Manoel Severino como primeiro suplente, destacando sua trajetória política e vínculo histórico com o partido.

Indicação de Benedita gera reação interna

No ofício, Benedita afirma: “Nesse sentido, indico como meu primeiro suplente o senhor Manoel Severino dos Santos, também fundador do Partido dos Trabalhadores, Secretário de Articulação Política na minha passagem pelo Governo do Estado, companheiro de trajetória e de caminhada política, que esteve ao meu lado em todas as lutas travadas em defesa da democracia, da justiça social, dos direitos do povo trabalhador e do fortalecimento do nosso partido. Sua história de compromisso, lealdade e militância o credencia para compor essa missão coletiva, com profunda identidade com os princípios e valores que orientam nossa caminhada. Por essas razões, submeto esta indicação à apreciação, reafirmando minha confiança na condução democrática do nosso partido e no fortalecimento de um projeto político comprometido com o povo do Rio de Janeiro e com o Brasil”.

A iniciativa, no entanto, foi contestada por integrantes do próprio partido, que defendem um acordo prévio sobre a composição da chapa.

Quaquá critica indicação e cita acordo político

Vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá divulgou nota pública neste domingo (19) criticando a decisão. Segundo ele, a escolha dos suplentes seria prerrogativa de seu grupo político dentro do partido, conforme entendimento anterior.

Na nota, Quaquá afirma: “Mesmo cientes das dificuldades eleitorais, decidimos, em nome da unidade do partido no Rio de Janeiro, apoiar a candidatura de Benedita da Silva ao Senado — ainda que nosso grupo tenha ampla maioria na direção, entre os delegados ao congresso e na base militante do PT no estado. Desde o primeiro momento, deixamos claro que o acordo passava pela indicação das suplências”.

Ele acrescenta que o grupo indicou o vereador Felipe Pires como primeiro suplente e apoiou a escolha do pastor e cantor Kleber Lucas como segundo suplente.

Críticas ao nome indicado

Quaquá também criticou diretamente o nome apresentado por Benedita. “Fomos, portanto, surpreendidos com a exigência de inclusão, como primeiro suplente, de um assessor, ex-presidente da Casa da Moeda, envolvido em escândalos. Não concordamos com essa indicação e, em reunião do diretório, aprovamos os dois nomes apresentados pelo nosso campo”, declarou.

Na sequência, o dirigente reforça a preocupação com possíveis impactos políticos. “Benedita é uma mulher honrada, de trajetória respeitada e compromisso público reconhecido. Justamente por isso, é fundamental que sua candidatura esteja protegida de qualquer elemento que possa gerar questionamentos ou fragilizar o projeto coletivo”.

Ofício de Benedita da Silva:

Prezadas e prezados companheiros,

Dirijo-me a esta instância partidária para formalizar a indicação de primeiro suplente para minha candidatura ao Senado Federal pelo estado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026.

Sou fundadora do Partido dos Trabalhadores e tenho minha trajetória política profundamente vinculada à construção deste partido, à defesa da democracia e à luta por justiça social em nosso país. Minha caminhada nasceu do compromisso com o povo trabalhador, com as mulheres, com a população negra, com os moradores das periferias e com todos aqueles e aquelas que historicamente precisaram transformar exclusão em luta e luta em conquista.

Ao longo da minha vida pública, atuei sempre com o mesmo compromisso ético e político. Fui vereadora, deputada federal constituinte, senadora da República, governadora do estado do Rio de Janeiro e ministra, sempre colocando minha atuação a serviço dos direitos humanos, da igualdade, da inclusão social e da dignidade do nosso povo.

Minha história é inseparável das lutas populares e democráticas do Brasil. Carrego, em cada espaço que ocupei, o compromisso de ampliar direitos, combater as desigualdades e fortalecer a participação política daqueles e daquelas que, por muito tempo, foram mantidos à margem das decisões. É com esse mesmo espírito que apresento minha candidatura ao Senado, entendendo essa missão como continuidade de uma trajetória coletiva construída ao lado do povo e do Partido dos Trabalhadores.

Nesse sentido, indico como meu primeiro suplente o senhor Manoel Severino dos Santos, também fundador do Partido dos Trabalhadores, Secretário de Articulação Política na minha passagem pelo Governo do Estado, companheiro de trajetória e de caminhada política, que esteve ao meu lado em todas as lutas travadas em defesa da democracia, da justiça social, dos direitos do povo trabalhador e do fortalecimento do nosso partido. Sua história de compromisso, lealdade e militância o credencia para compor essa missão coletiva, com profunda identidade com os princípios e valores que orientam nossa caminhada.

Por essas razões, submeto esta indicação à apreciação, reafirmando minha confiança na condução democrática do nosso partido e no fortalecimento de um projeto político comprometido com o povo do Rio de Janeiro e com o Brasil.

Nota de Washington Quaquá:

Mesmo cientes das dificuldades eleitorais, decidimos, em nome da unidade do partido no Rio de Janeiro, apoiar a candidatura de Benedita da Silva ao Senado — ainda que nosso grupo tenha ampla maioria na direção, entre os delegados ao congresso e na base militante do PT no estado.

Desde o primeiro momento, deixamos claro que o acordo passava pela indicação das suplências. Indicamos, para isso, o líder do PT na Câmara Municipal, vereador Felipe Pires, e acolhemos uma importante construção dos setores evangélicos e de direitos humanos do partido, com a indicação do pastor e cantor Kleber Lucas como segundo suplente.

Fomos, portanto, surpreendidos com a exigência de inclusão, como primeiro suplente, de um assessor, ex-presidente da Casa da Moeda, envolvido em escândalos. Não concordamos com essa indicação e, em reunião do diretório, aprovamos os dois nomes apresentados pelo nosso campo. Benedita é uma mulher honrada, de trajetória respeitada e compromisso público reconhecido. Justamente por isso, é fundamental que sua candidatura esteja protegida de qualquer elemento que possa gerar questionamentos ou fragilizar o projeto coletivo.

Temos a responsabilidade de unir o partido e preservar o presidente Lula, para que nossa chapa majoritária não seja obrigada a se explicar sobre escândalos. Já abrimos mão de disputar internamente em nome da unidade. Insistir em desconsiderar a maioria do partido no estado e construir uma chapa vulnerável a ataques dos adversários é um erro político.

Cada um sabe das suas ações e das responsabilidades que carrega. Esperamos que todos ajam com a responsabilidade que o momento exige.

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