PT anuncia pré-candidatura de Haddad ao governo de SP em ato no ABC
Ministro entra na disputa com apoio de Lula e promete fortalecer o palanque do PT nas eleições presidenciais
247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quinta-feira (19) sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, em evento realizado no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. O local é considerado simbólico para a trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e para a formação do Partido dos Trabalhadores. A decisão, segundo O Globo, representa a repetição de uma estratégia do PT, que já lançou Haddad anteriormente ao governo paulista, quando ele chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O anúncio da pré-candidatura aconteceu no início do evento e foi feito pelo presidente estadual do PT, Kiko Celeguim, e pelo presidente nacional Edinho Silva. O evento contou também com a presença de ministros do governo Lula. “O Fernando é o objetivo da nossa vinda aqui no sindicato, por conta da missão que ele vai assumir no nosso projeto aqui para frente (em São Paulo)”, afirmou Edinho, de acordo com o Metrópoles.
Disputa em SP terá impacto nacional
A entrada de Haddad na corrida eleitoral amplia o peso da disputa em São Paulo, estado que reúne mais de 20% do eleitorado brasileiro. Além de tentar reverter o favoritismo de Tarcísio nas pesquisas, o ministro assume a missão de fortalecer o palanque de Lula nas eleições presidenciais. Inicialmente resistente à candidatura, Haddad foi convencido após um pedido direto do presidente. Aliados indicam que a decisão levou em conta a necessidade de consolidar uma candidatura competitiva no estado.
Pesquisa eleitoral influenciou escolha
Um levantamento do Datafolha, realizado entre os dias 3 e 5 de março, contribuiu para a definição do nome de Haddad. Na simulação de primeiro turno, ele registrou 31% das intenções de voto, enquanto Tarcísio apareceu com 44%.
Outros nomes considerados, como o vice-presidente Geraldo Alckmin, Márcio França e Simone Tebet, acabaram ficando fora da disputa pelo governo paulista. Ainda assim, Alckmin deve participar da campanha, reforçando alianças.
Alianças e composição da chapa ainda em aberto
A definição do vice na chapa, contudo, segue indefinida. Entre as alternativas estão Márcio França e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Simone Tebet deve disputar o Senado por São Paulo, após transferência de domicílio eleitoral. A participação de Alckmin é vista como estratégica para ampliar o diálogo com setores mais conservadores e com gestores municipais.
Estratégia de campanha foca economia e críticas
A campanha de Haddad deve destacar indicadores econômicos do governo federal, como a queda do desemprego, o aumento da renda média e o controle da inflação. Também devem ser enfatizadas medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a reforma tributária.
Ao mesmo tempo, o discurso deve incluir críticas ao governo estadual, com foco em temas como a privatização da Sabesp, a relação com prefeitos e disputas sobre obras realizadas com recursos federais.
Confronto político tende a se intensificar
O governador Tarcísio de Freitas tem indicado que pretende nacionalizar o debate eleitoral, com críticas à política econômica conduzida por Haddad. Entre os pontos levantados estão o aumento de gastos e a criação de tributos. Haddad, por sua vez, sustenta que promoveu mudanças no sistema tributário, priorizando a cobrança sobre as camadas mais ricas.
Mudança temporária na Fazenda
Com a entrada na pré-campanha, Haddad deve se afastar de parte das atividades públicas. O comando do Ministério da Fazenda ficará com o secretário-executivo Dario Durigan. Durigan participou de negociações importantes no Congresso, como a reforma tributária e medidas fiscais, e terá como desafio lidar com a mobilização de caminhoneiros diante da alta dos combustíveis.


