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Queiroz assume cargo em segurança de Saquarema, no Rio, e mantém influência política

Ex-assessor de Flávio Bolsonaro e apontado como operador de suposto esquema de rachadinha ocupa subsecretaria e mantém proximidade com o senador

Alvo do Judiciário, Fabrício Queiroz foi assessor do senador Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução)

247 - Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e personagem central nas investigações sobre rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), voltou a ocupar posição de destaque na administração pública ao assumir a subsecretaria de Segurança e Ordem Pública de Saquarema, na Região dos Lagos. O movimento reforça sua permanência no cenário político, mesmo anos após as denúncias que o colocaram no centro de um dos casos mais emblemáticos da política fluminense, relata o jornal O Globo.

A nomeação ocorreu com apoio de aliados políticos ligados ao PL, incluindo o ex-prefeito Antonio Peres, responsável pelo diretório municipal do partido. A articulação teria contado também com o respaldo de Flávio Bolsonaro, com quem Queiroz mantém proximidade política.

Desde 2024 no cargo, o ex-policial militar reformado atua diretamente na supervisão da Guarda Municipal e participa de agendas institucionais dentro e fora do município. Internamente, sua atuação lhe rendeu a reputação de uma espécie de “xerife” da segurança local, com presença constante em eventos públicos e operações ligadas à área.

A chegada de Queiroz à prefeitura de Saquarema ocorre após tentativas frustradas de alocação em outras cidades, como Campos dos Goytacazes. Na avaliação de interlocutores ouvidos pela reportagem, o cargo também representou uma forma de estabilizar sua posição política após a candidatura sem sucesso a deputado estadual em 2022.

Em 2024, Queiroz disputou uma vaga na Câmara Municipal de Saquarema pelo PL e terminou como primeiro suplente. Durante a campanha, recebeu apoio explícito de Flávio Bolsonaro, que declarou: “Para entrar na política tem que ter couro grosso, e o Queiroz tem. A gente está do lado certo da história. (...) Quero voltar com o presidente Bolsonaro aqui em Saquarema para dar um abraço na (atual prefeita) Lucimar e no Queiroz”.

Apesar da visibilidade, Queiroz evitou conceder entrevistas. Em contato telefônico com o jornal, afirmou: “Por mim, não teria problema nenhum falar, mas esse é um ano eleitoral e não quero correr o risco de perder o cargo no município”.

Na área de segurança, o subsecretário já defendeu propostas como o armamento da Guarda Municipal, embora a medida ainda não tenha sido implementada. A pasta também lançou iniciativas como uma ronda ostensiva municipal, com características semelhantes às operações da Polícia Militar.

O histórico de Queiroz inclui denúncia do Ministério Público do Rio por suposta participação em um esquema de recolhimento irregular de salários de assessores no gabinete de Flávio Bolsonaro. O caso, no entanto, foi arquivado na esfera criminal após decisões judiciais que anularam provas obtidas durante a investigação.

Durante o processo, o próprio Queiroz afirmou à Justiça que os repasses ocorreram “sem anuência” de Flávio Bolsonaro. O Ministério Público, por sua vez, apresentou elementos que indicariam o contrário, incluindo mensagens nas quais o ex-assessor mencionava a necessidade de prestar contas a superiores.

A prefeitura de Saquarema declarou, em nota, que a nomeação do subsecretário seguiu critérios técnicos, destacando sua trajetória de três décadas na Polícia Militar. Já a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia não comentou a nomeação de Felipe Queiroz, filho do ex-assessor, para um cargo na pasta.

O senador Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos do O Globo.

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