São Paulo conquista selo 'ouro' em alfabetização e supera meta do MEC
Estado atinge 58% de alunos alfabetizados e avança com programa Alfabetiza Juntos SP em todas as cidades
247 - O estado de São Paulo foi reconhecido com o selo “ouro” do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, após superar a meta estabelecida pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2024, ano de referência da avaliação, 58% dos estudantes da rede estadual e das 645 redes municipais demonstraram habilidades básicas de leitura e escrita. O resultado garantiu ao estado 118 pontos em uma escala que vai até 150, superando a meta de 57% estipulada pelo indicador oficial.
A certificação leva em conta não apenas os índices de aprendizagem, mas também iniciativas educacionais como formação de professores, capacitação de gestores e distribuição de materiais didáticos. A premiação foi entregue em Brasília, com a presença do secretário da Educação de São Paulo, Renato Feder, e integra um conjunto de avaliações conduzidas por uma comissão técnica do MEC.
Avanço rápido e parceria com municípios
Segundo Renato Feder, o resultado reflete a atuação conjunta entre o governo estadual e os municípios paulistas. “O ‘selo ouro’ é resultado de um trabalho sólido de parceria entre o Estado e os 645 municípios paulistas, sintetizado no programa Alfabetiza Juntos SP. Ao exercer o papel de coordenação da política educacional, a Secretaria da Educação mostra que, de forma colaborativa, é possível reverter problemas históricos e complexos. Tanto é que em apenas um ano, saímos do selo prata, obtido em 2024 (com dados de 23), para o de excelência”, afirmou.
Além de São Paulo, outros dez estados também receberam o selo ouro, enquanto seis conquistaram o selo prata e um ficou com o selo bronze.
Crescimento da alfabetização infantil
Dados mais recentes indicam avanço significativo no aprendizado das crianças. Em 2025, cerca de 330 mil alunos de até sete anos já sabiam ler e escrever na idade adequada — o equivalente a três em cada quatro estudantes avaliados. A meta da Secretaria da Educação é alcançar 90% de leitores iniciantes e fluentes até o fim de 2026.
A evolução também é observada na comparação com 2023, quando havia 220 mil crianças nesse nível de aprendizagem. O aumento representa um crescimento de 50% no número de alunos alfabetizados.
O programa classifica os estudantes em dois níveis: leitores fluentes, que conseguem ler mais de 65 palavras por minuto com pelo menos 90% de precisão, e leitores iniciantes, que leem a partir de 11 palavras, ainda que de forma mais pausada.
Ações estruturantes do programa
O Alfabetiza Juntos SP tem presença em 100% dos municípios paulistas e reúne uma série de ações voltadas ao fortalecimento da alfabetização. Entre elas estão a adoção de materiais alinhados ao Currículo Paulista, utilizados em 572 cidades, e a plataforma digital Elefante Letrado, presente em 436 municípios.
O programa também investe na formação de profissionais da educação, alcançando 636 municípios, com participação de 61,9 mil professores e 8.300 gestores, além de profissionais da rede estadual. Outra iniciativa é a plataforma Matific, voltada ao ensino de matemática, disponível em 275 cidades.
Reconhecimento de escolas e municípios
Como parte da política educacional, o governo paulista anunciou ainda o Prêmio Excelência Educacional 2025, que contemplou 1.111 escolas municipais de 411 cidades. A premiação reconhece o desempenho no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp).
O cálculo considera o Índice de Excelência Educacional (IEE), baseado nas médias de língua portuguesa e matemática dos 2º e 5º anos, além de indicadores como aprovação, reprovação e evasão. Também são levados em conta fatores como complexidade da escola, número de alunos e nível de vulnerabilidade social.
As unidades que atingem suas metas recebem R$ 100 por estudante matriculado. Em 2025, o investimento total do governo estadual foi de R$ 32,5 milhões.
Reconhecimento internacional
O programa Alfabetiza Juntos SP também recebeu validação internacional. Em dezembro, a iniciativa foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), ao integrar o modelo CARE-KNOW-DO, desenvolvido pela pesquisadora Alexandra Okada, da The Open University, no Reino Unido.
O modelo se baseia em três pilares: o cuidado e compromisso com a aprendizagem (CARE), o uso de estratégias baseadas em evidências (KNOW) e a aplicação prática do conhecimento pelos estudantes (DO). A abordagem é considerada uma contribuição relevante para o avanço do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4), que trata da educação de qualidade.


