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"Se o hospital é de qualidade, o beneficiário é o povo", diz Lula durante inauguração no Andaraí

Unidade recebe investimentos de R$ 607 milhões e integra plano federal que já destinou mais de R$ 1,4 bilhão para reestruturação de hospitais no Rio

Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta sexta-feira (13) o novo Setor de Trauma do Hospital Federal do Andaraí (HFA), na zona norte do Rio de Janeiro. A iniciativa integra um amplo plano de reestruturação da rede federal de saúde, que prevê investimentos de R$ 607 milhões na unidade e faz parte de um pacote que já ultrapassa R$ 1,4 bilhão aplicado em hospitais e institutos federais no estado.

De acordo com informações divulgadas pelo Governo do Brasil, a inauguração também incluiu a entrega da clínica médica reformada do hospital. O evento contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, além de outras autoridades, como a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade.

As obras fazem parte do Plano de Reestruturação dos Hospitais Federais, inserido no programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa tem como objetivo ampliar a oferta de serviços especializados, reduzir filas no Sistema Único de Saúde (SUS) e melhorar a qualidade do atendimento nas unidades federais.

Durante a cerimônia, Lula destacou que a entrega tem significado simbólico por recuperar uma unidade que, segundo ele, estava em situação precária antes das intervenções recentes. “Eu queria chamar a atenção das pessoas porque esse hospital estava em situação deteriorada. É inacreditável a falta de respeito com o povo. É inacreditável que não se dêem conta que se o hospital é de qualidade, quem é o beneficiário é o povo. É preciso haver denúncias e mais denúncias do desmantelo do hospital, como aconteceu aqui”, afirmou o presidente.

Ampliação da capacidade de atendimento

O novo Setor de Trauma recebeu investimento de R$ 8 milhões e ampliou a capacidade de atendimento da unidade. Com a modernização da estrutura, o hospital passa a atender até 650 pacientes por dia, o que representa aumento de 44% na capacidade diária.

A clínica médica também passou por reforma completa, com readequação dos espaços e melhorias estruturais. Atualmente, o setor dispõe de 36 leitos, incluindo enfermarias e unidades de cuidados intermediários.

Outros setores importantes também foram entregues ou modernizados na unidade, como o Centro de Terapia Intensiva (CTI), o ambulatório e o centro cirúrgico. Já o centro de imagem segue em fase final de obras, com previsão de conclusão ainda no primeiro semestre de 2026.

Programa busca reduzir filas no SUS

Durante o evento, Lula ressaltou a importância do programa Agora Tem Especialistas para ampliar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias.

“O Agora Tem Especialistas é minha obsessão. Não era só um programa de governo, era obsessão, porque as pessoas não tinham acesso à segunda consulta neste país. O Agora Tem Especialistas era uma necessidade urgente. A gente permite que a pessoa vá ao médico, faça a primeira consulta, faça a segunda, faça a terceira e faça os exames que tiver que fazer para depois fazer a cirurgia”, declarou.

Os recursos também permitiram ampliar o chamado Teto MAC, mecanismo de financiamento que viabiliza serviços de média e alta complexidade no SUS. Com isso, a rede federal poderá ampliar procedimentos como transplantes, tratamentos oncológicos e cirurgias especializadas.

Recuperação da rede hospitalar federal

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a recuperação das unidades federais no Rio representa a retomada da capacidade de atendimento da rede pública.

“Este não era um hospital envelhecido, era um hospital abandonado. E o que está sendo mostrado aqui hoje é que a gente já ressuscitou essa rede federal”, disse o ministro.

Padilha também comparou o momento atual da rede hospitalar com o período da pandemia. “Na pandemia todo mundo queria respirar. Posso dizer que hoje o Hospital da Andaraí e os hospitais federais voltaram a respirar, voltaram a ser entregues para o povo do Rio de Janeiro e para o SUS”.

Segundo o ministro, a unidade passou a contar com estrutura tecnológica avançada. “Esse hospital não tinha urgência aberta, adulta e pediátrica. Não tinha equipamento de tratamento de oncologia, acelerador linear que faz radioterapia no tratamento do câncer. Ele é tão moderno quanto os mais modernos centros privados do mundo”, afirmou.

Atendimento mais rápido e eficiente

A modernização do hospital também tem impacto direto no fluxo assistencial da rede de saúde. A unidade passou a ser administrada pela Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, o que, segundo autoridades, permitiu maior integração com o sistema municipal.

Com a reorganização da estrutura, os pacientes passam a receber atendimento mais rápido, inclusive com possibilidade de realização de procedimentos complexos já na emergência e durante o transporte entre diferentes setores da unidade.

Durante a cerimônia, o prefeito Eduardo Paes destacou a importância da reestruturação para o atendimento da população da capital e de outros municípios do estado.

“É revolucionário na saúde pública dos cariocas e dos fluminenses, porque essa rede aqui atende o estado inteiro. É revolucionário”, afirmou. “Dobramos o número de unidades de saúde. Se tem uma coisa que me orgulha é o que a gente conseguiu fazer na saúde, algo que seria impossível se não fosse o Sistema Único de Saúde”.

Expansão de leitos e serviços

Nos últimos dois anos, o Hospital Federal do Andaraí passou por ampla expansão. Foram abertos mais de 140 novos leitos, o que quase dobrou o número anual de atendimentos da unidade, que passou de 84 mil para 167 mil.

A força de trabalho também foi ampliada. O número de profissionais saltou de cerca de 2,5 mil para aproximadamente 4,6 mil colaboradores.

A reestruturação também permitiu reabrir a emergência do hospital, que estava fechada havia dez anos. Antes da retomada do serviço, pacientes em estado grave precisavam ser levados para outra unidade localizada no centro da cidade, a cerca de 9 quilômetros de distância.

Em maio de 2025, o hospital recebeu ainda um acelerador linear para tratamento de câncer, adquirido com investimento de R$ 13,4 milhões do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS. O equipamento permite atender até 600 novos casos de oncologia por ano.

Outras melhorias incluem a reabertura do restaurante da unidade, fechado por mais de uma década, que agora possui capacidade para produzir até 2,4 mil refeições diariamente.

Avanço na rede hospitalar do Rio

A reestruturação da rede federal no estado também resultou na reabertura de 335 leitos hospitalares e na reativação de 16 salas cirúrgicas. Como consequência, o número de cirurgias realizadas aumentou cerca de 30% em apenas um ano, passando de 16.803 procedimentos em 2024 para 21.869 em 2025.

Entre as entregas recentes do programa está a inauguração, em fevereiro de 2026, do Centro de Emergência 24 horas para adultos e crianças no Hospital Federal Cardoso Fontes, também no Rio de Janeiro.

A unidade recebeu investimento federal de R$ 100 milhões para modernização de suas estruturas. Após a reabertura, o hospital voltou a operar em regime integral, realizou mais de 17 mil atendimentos no primeiro ano e ampliou sua enfermaria clínica de 27 para 60 leitos, além de receber dois tomógrafos e reforçar sua equipe, que hoje conta com 2.241 profissionais.

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